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Gravidade: a ciência por trás do filme

Obra de Alfonso Cuarón retrata magistralmente a paisagem e os movimentos que acontecem na órbita terrestre. Para contar uma boa história, no entanto, o diretor cometeu alguns erros científicos

Por Guilherme Rosa Atualizado em 6 Maio 2016, 16h16 - Publicado em 21 out 2013, 13h36

Solta no espaço, a astronauta Ryan Stone (interpretada por Sandra Bullock) rodopia sem parar. Sozinha, sem ter onde se segurar, ela pode ficar assim para sempre – girando em órbita da Terra, como um satélite. A cena do filme Gravidade é um retrato perfeito do movimento dos corpos no espaço. A precisão científica tem sido levantada como um dos pontos altos da produção, que é a mais vista nos Estados Unidos há duas semanas e já conseguiu acumular mais de 200 milhões de dólares de bilheteria ao redor do mundo. Ainda assim, cientistas e astrônomos encontraram alguns erros e imprecisões em sua tentativa de retratar o espaço sideral.

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O filme se passa em um futuro próximo, e conta a história de dois astronautas, Ryan Stone e Matt Kowalski (George Clooney), à deriva depois de sua nave ser atingida por destroços. Os movimentos de seus corpos no espaço, e sua interação com os muitos destroços à sua volta, encantou os cientistas, que viram ali um retrato fiel e bonito da mecânica dos satélites na órbita terrestre. “Ficar em órbita é estar em queda-livre perpétua. Os objetos ainda estão presos à gravidade da Terra, que os puxa para baixo, mas eles também possuem uma velocidade lateral. Assim, eles estão sempre caindo, acompanhando a curvatura do planeta – embora pareçam estar flutuando”, diz Alexandre Cherman, astrônomo da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro.

A beleza dessas cenas e a perfeição com que retratam o movimento dos astronautas acabou levando a uma análise mais detalhada dos aspectos científicos do filme. E ele não passou incólume. “Não se pode pensar que se trata de um documentário. Há furos”, diz Cherman. “Mas é importante destacar que o filme acerta muito mais do que erra. E alguns dos erros são claramente propositais. Sem eles, não haveria filme”.

Como disse Neil deGrasse Tyson, diretor do Planetário Hayden, em Nova York, e um dos primeiros astrônomos a procurar – e encontrar – por falhas no filme: “O que poucas pessoas parecem reconhecer é que os cientistas não se juntam para criticar filmes como Está Chovendo Hamburguer, O Homem de Aço, Transformers ou Vingadores […] Ganhar o direito de ser criticado em um nível científico é uma grande elogio.”

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