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Golfinho consegue ficar alerta por, no mínimo, 15 dias

Capacidade de dormir com apenas um lado do cérebro de cada vez faz com que animais consigam responder a estímulos do ambiente durante todo o período, sem demonstrar fadiga

Uma nova pesquisa publicada nesta quarta-feira na revista PLOS ONE mostrou que o golfinho é capaz de permanecer alerta por 15 dias seguidos, sem dar nenhum sinal de fadiga. E isso não quer dizer que o animal permaneça o tempo inteiro acordado. Na verdade, os golfinhos possuem uma habilidade conhecida como sono uni-hemisférico – eles são capazes de dormir com uma metade do cérebro de cada vez. Enquanto um hemisfério cerebral descansa, o outro permanece alerta.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Dolphins Can Maintain Vigilant Behavior through Echolocation for 15 Days without Interruption or Cognitive Impairment

Onde foi divulgada: revista PLOS ONE

Quem fez: Brian K. Branstetter, James J. Finneran e Elizabeth A. Fletcher

Instituição: Fundação Nacional de Mamíferos Marinhos, dos Estados Unidos

Dados de amostragem: Dois golfinhos treinados para apertar uma alavanca a cada vez que detectassem um objeto na água

Resultado: Os golfinhos foram capazes de permanecer alerta e detectar de modo correto os objetos na água ao longo dos 15 dias de testes, sem cair de rendimento com o passar do tempo

Até agora, os pesquisadores pensavam que essa habilidade havia sido selecionada pela evolução para permitir que o golfinho fosse capaz de respirar enquanto descansa. Como o animal precisa subir até a superfície para respirar, ele poderia morrer afogado se dormisse de modo contínuo. Outros animais possuem a mesma habilidade, como botos, focas e até alguns pássaros, como o melro preto.

A nova pesquisa coordenada por Brian Branstetter, biólogo da Fundação Nacional de Mamíferos Marinhos dos Estados Unidos, sugere que a habilidade também está relacionada ao fato de manter o animal alerta – e protegido contra predadores – por boa parte do tempo.

Radar – Por conta da baixa visibilidade no mar, os golfinhos possuem uma habilidade conhecida com ecolocalização para investigar o ambiente à sua volta. Como se fosse um radar, o animal produz pequenos estalidos e escuta o eco que retorna do oceano, para determinar a localização e a identidade de objetos que estão ao seu redor.

A intenção do grupo de pesquisadores foi descobrir por quanto tempo essa habilidade permanece ativa, mostrando que o animal estava alerta. Para isso, eles estudaram dois golfinhos da espécie Tursiops truncatus, um macho e uma fêmea, que foram treinados para apertar um pedal cada vez que detectassem um objeto na água. De início, eles foram submetidos a três rodadas de teste, que duravam cinco dias ininterruptos. Mesmo com o passar dos dias, nenhum dos animais mostrou uma queda no rendimento. O golfinho macho detectou de modo preciso entre 75% e 86% dos alvos, e a fêmea detectou entre 97% e 99%.

Como teve melhor desempenho, os pesquisadores escolheram a fêmea para fazer um teste mais longo, com a intenção de avaliar sua habilidade de permanecer alerta ao longo de um mês. Na metade desse tempo, uma grande tempestade obrigou a interrupção do estudo. Mesmo assim, os pesquisadores conseguiram medir que, nesse período de quinze dias, não houve nenhuma piora no estado de alerta do animal.

Os pesquisadores concluíram que a necessidade de respirar pode realmente ter servido como o principal fator para a habilidade do sono uni-hemisférico ter sido selecionada entre os golfinhos. Mas a necessidade de permanecer vigilante contra o ataque de predadores – principalmente tubarões – pode ter exercido um papel secundário no desenvolvimento dessa característica.