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Falar de si mesmo dá prazer, diz estudo

Pesquisadores descobriram que a região do cérebro excitada quando alguém fala de si mesmo é a mesma ativada por comida e sexo

Um estudo publicado nesta segunda-feira no periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) indica que partes do cérebro ligadas ao prazer são ativadas quando uma pessoa fala sobre si mesma. “Isso ajuda a explicar por que muitas pessoas gostam tanto de falar de si mesmas: elas sentem-se bem, basicamente”, explica a autora principal do estudo, Diana Tamir, do Laboratório de Cognição Social e Neurociência Afetiva da Universidade de Harvard.

Os autores descobriram que a região do cérebro excitada quando alguém fala de si mesmo é a mesma ativada por comida, sexo, dinheiro e até drogas. Para a autora, as descobertas são mais do que uma curiosidade específica, considerando que, ela estima, de 30% a 40% de tudo o que uma pessoa fala é basicamente autorreferente.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Disclosing information about the self is intrinsically rewarding

Onde foi divulgada: revista Proceedings of the National Academy of Sciences

Quem fez: Diana I. Tamir e Jason P. Mitchell

Instituição: Universidade de Harvard, Estados Unidos

Dados de amostragem: 195 pessoas

Resultado: Pesquisadores descobriram que falar de si mesmo ativa áreas do cérebro relacionadas ao prazer

Assunto preferido: ‘eu’ – Para realizar o estudo, os pesquisadores escanearam o cérebro de pessoas enquanto elas realizavam diversas atividades. Em uma primeira etapa, 78 participantes falaram de seu gosto por chá ou café e conheceram a opinião de outras pessoas.

Na segunda parte do experimento, 117 pessoas falaram sobre aspectos de suas personalidades – se são curiosas ou ambiciosas, por exemplo – e sobre características de presidentes dos Estados Unidos.

Os pesquisadores descobriram que partes do cérebro relacionadas ao prazer eram mais ativadas quando as pessoas falavam sobre si mesmas.

“Fazer revelações sobre si mesmo é um comportamento que temos o tempo todo, todos os dias: quando você conversa com uma pessoa, ela geralmente fala sobre si mesma”, diz Tamir. “No Twitter e no Facebook, as pessoas estão expondo o que pensam ou sentem naquele momento. Alguns estudos mostram que quanto mais você se abre para uma pessoa, mais você gosta dela e mais ela gosta de você. Isso pode estar relacionado à formação de laços sociais.”

Biblioteca

Em Compass of Pleasure, lançado no Brasil como A Origem do Prazer – como o nosso cérebro

capa do livro Compass of Pleasure

capa do livro Compass of Pleasure (/)

transforma nossos vícios (e virtudes) em experiências prazerosas (Elsevier), David Linden, professor do Departamento de Neurociências da da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, explica o mecanismo cerebral que faz com que comportamentos díspares, de apostar em cavalos a ser generoso com os necessitados, produzam o mesmo tipo de sensação de prazer.

Autor: LINDEN, DAVID

Editora: ELSEVIER