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Esqueletos humanos mostram que cirurgias no crânio são realizadas há mais de mil anos

A técnica era utilizada para tratar de ferimentos na cabeça a doenças cardíacas

Um conjunto de crânios encontrados no Peru traz evidências de que cirurgias cranianas, que não deixaram de ser um procedimento complicado mesmo com o avanço da medicina, são realizadas há mais de mil anos. Os resultados desse estudo foram publicados na edição de dezembro do periódico American Journal of Physical Anthropology.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Trepanation in South-Central Peru during the early late intermediate period (ca. AD 1000-1250)

Onde foi divulgada: Periódico American Journal of Physical Anthropology

Quem fez: Danielle S. Kurin

Instituição: Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, nos Estados Unidos

Resultado: Um conjunto de crânios encontrados no Peru traz evidências de que cirurgias cranianas são realizadas há mais de mil anos

Uma equipe de pesquisadores liderados por Danielle Kurin, arqueóloga da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, nos Estados Unidos, realizou escavações na cidade de Andahuaylas, no Peru, e encontrou ossadas de 32 indivíduos que viveram entre os anos 1.000 e 1.250. Entre eles, foram identificados 45 procedimentos de trepanação, ou perfuração do crânio. “Essa cirurgia atravessa todo o osso, mas não toca o cérebro. Isso requer muita experiência e habilidade”, diz a pesquisadora.

Segundo Danielle, a prática surgiu na região dos Andes entre os anos 200 e 600 e foi considerada um procedimento médico viável até o século XVI. Os crânios encontrados trazem evidências de diferentes técnicas empregadas por médicos no mesmo período. Alguns raspavam, enquanto outros cortavam ou usavam um tipo de furadeira de mão. “Parece que eles estavam experimentando técnicas diferentes, da mesma forma como nós testamos novos medicamentos”, afirma. A trepanação era utilizada para diversos fins, de tratar ferimentos na cabeça a doenças cardíacas.

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Questão de treino – Algumas vezes o tratamento era bem sucedido e o paciente se recuperava, mas em outras os resultados não eram tão bons. Quando um paciente não sobrevivia, seu crânio poderia ser “doado para a ciência” e utilizado para fins educativos. “Nós podemos afirmar que eles usavam os mortos para estudos devido à localização e profundidade dos buracos abertos nos crânios. Em um dos exemplos, cada um dos buracos vai um pouco mais fundo do que o anterior. Dá para imaginar um médico praticando com sua furadeira de mão para saber o quanto ele precisa avançar para perfurar todo o crânio”, diz a autora.

Para Danielle, não há evidências de que essas perfurações fossem uma forma de tortura. “Há sinais de que eles raspavam o cabelo no local da trepanação e aplicavam um remédio de ervas sobre a ferida. Para mim, essas são indicações de que a intenção era salvar a vida de alguém.”