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Elon Musk: o homem que nos levará a Marte

O inventor e bilionário sul-africano tem duas ambições: fornecer energia limpa e barata à humanidade e colonizar o espaço. Em 2013 ele provou que pode chegar lá

Grandes avanços científicos e tecnológicos quase sempre nascem de ideias simples, emolduradas por raciocínios complexos. A ideia simples que pode consagrar o sul-africano Elon Musk como um dos maiores visionários da história: precisamos colonizar outros planetas para preservar a civilização a longo prazo. Musk acredita ter encontrado a solução há um ano, quando acordou às 2 da madrugada com uma fixação. “Eu me toquei que foguetes movidos a metano e oxigênio podem atingir um impulso maior que 380”, contou ele. Esse é seu raciocínio complexo. No jargão científico, significa que esse impulso, equivalente a 3,8 quilômetros por segundo, é suficiente para tirar um foguete da Terra e levá-lo a Marte. E, como Marte é cheio de dióxido de carbono (CO2) e permafrost – solo congelado com abundância de água (H2O) -, é possível converter esses elementos em metano (CH4) e oxigênio líquido (O2), que garantiriam o combustível para a viagem de volta. Ah, e convém lembrar que sempre é útil associar as tais ideias simples e elaborações sofisticadas a dinheiro, muito dinheiro. Musk tem de sobra.

Ele se tornou bilionário em 2002, com a venda do PayPal, popular sistema de pagamentos pela internet que deu credibilidade a negociações on-line, ao eBay, por 1,5 bilhão de dólares. Resolveu usar a fortuna para fundar, no mesmo ano, a SpaceX, a maior empresa de exploração do cosmo, dona de contratos bilionários com a Nasa, a agência espacial americana. A SpaceX foi, em 2012, a primeira companhia privada a atracar uma sonda na Estação Espacial Internacional. No começo, era apenas uma piada, dado o alto risco de o negócio fracassar. A charada engraçadinha: “Você ouviu a notícia do cara que fez uma pequena fortuna na indústria espacial? Só que ele começou com uma fortuna maior”. Musk respondia, com humor: “Estava tentando imaginar a forma mais rápida de transformar uma grande fortuna numa pequena”. A SpaceX era um sonho de criança. Na infância, além de brincar de desenvolver códigos de programação, o sul-africano criava modelos de foguetes. E já imaginava como seria ir para a Lua. Aos 17 anos, mudou-se para o Canadá, terra natal de sua mãe. Depois foi para os Estados Unidos, estudar física e administração na Pensilvânia. Formado, começou um doutorado na renomada Universidade Stanford, no Vale do Silício. Largou o curso no segundo dia para se dedicar ao empreendedorismo, já com a cabeça definitivamente nas estrelas. O próximo passo, ele reafirma com a rotina dos obcecados, será Marte.

Musk, de 42 anos, não é de desistir, daí a relevância de sua posição entre os visionários da atualidade. Frequentemente comparado a Steve Jobs em sua avidez inovadora, sem medo de errar, ele debutou na internet, antes do extraordinário salto criativo do PayPal, de maneira tímida. Sua primeira empresa nada tinha de fenomenal. A Zip2 administrava softwares para empresas da imprensa americana, a exemplo do jornal The New York Times. Mas ele conseguiu vendê-la por 341 milhões de dólares para seguir criando. Na circulação de dinheiro pela internet, nas viagens espaciais e, mais recentemente, no desenvolvimento de energia limpa e barata. É o seu barato da hora. “É decisivo que tenhamos a produção de energia sustentável, independentemente das preocupações ambientais. Mesmo que produzir CO2 fosse bom para a natureza, teríamos de operar de forma sustentável, visto que ficaremos sem hidrocarbonetos (base dos combustíveis fósseis) em dado momento”, reflete. Essa elaboração é o alicerce da Tesla, montadora de carros elétricos, e da SolarCity, desenvolvedora de painéis solares para residências americanas. Um terceiro caminho é o Hyperloop, projeto de um sistema de transportes rápido, de baixo custo e movido a energia sustentável (veja o quadro abaixo). Com a Tesla, a ideia de Musk é fornecer transporte sustentável a todos. O problema: o primeiro automóvel a sair da linha de montagem custava mais de 100 000 dólares. Musk explica: “Começamos com poucas unidades do esportivo Roadster. Daí, criamos o Model S, que custa 50 000 dólares. A terceira geração, que deve ser lançada em três anos, será de 30 000”. Hoje a Tesla está na segunda fase do plano e o Model S já é o carro elétrico mais popular dos Estados Unidos.

A ousadia quase o levou à falência. Durante a crise econômica que atingiu os Estados Unidos em 2008, a SpaceX e a Tesla estiveram perto de fechar. O que o manteve de pé? Musk preferia falir a abandonar as grandes causas de uma vida inteira, a exploração espacial e o zelo com energia limpa. A turbulência passou. A aposentadoria dos ônibus espaciais da Nasa, em 2011, lhe garantiu um contrato de 1,6 bilhão de dólares para dar início à privatização da exploração do cosmo, e a Tesla vale atualmente 18 bilhões de dólares. Musk, cuja figura é frequentemente colada à imagem de um personagem de ficção, Tony Stark, o Homem de Ferro, que alterna a vida de bilionário com a de herói, acumula uma fortuna de 6,7 bilhões de dólares. Assim como Stark, o sul-africano é conhecido por ser arrogante e impaciente com quem considera de intelecto inferior (quase todos que o circundam). Tê-lo por perto é irritante – mas não tê-lo pode ser pior. É muito provável que a humanidade tenha um futuro cada vez melhor se as inovações de Musk vingarem, e delas brotarem outras. Ao ser perguntado sobre qual é seu segredo para o sucesso, ele responde: “Penso pelo raciocínio da física. Quando você quer fazer algo novo, tem de imaginar como descobrir coisas que não são intuitivas, como a mecânica quântica”. Ou então a colonização de outros planetas. O crescimento dos negócios de Musk ao longo de 2013 fez dele um personagem incontornável, ao redor de quem circularão algumas das boas surpresas de nosso tempo.

Fotos EFE/Reuters e divulgação

Fotos EFE/Reuters e divulgação (/)

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