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Elefantas resgatadas de circo vão viver em paz em santuário no MT

Refúgio na Chapada dos Guimarães é o primeiro do tipo na América Latina

Quem percorre a região da Rodovia Domingo Ribeiro Resende, em direção a Paraguaçu, no sul de Minas Gerais, pode se surpreender ao avistar, como se fosse uma alucinação, duas criaturas de dimensões nada discretas destacando-se na paisagem. São Maia e Guida, elefantas-asiáticas de quase 4 toneladas cada uma. O espanto é compreensível: não há exemplares dos maiores animais que andam pela Terra embelezando a natureza brasileira. Só é possível encontrá-­los na Ásia e, em outra variação de espécie, na África. Maia e Guida vivem em um sítio que já foi conhecido como Recanto dos Pássaros e, por óbvio motivo, trocou de nome para Recanto dos Elefantes depois da chegada da dupla de peso, há seis anos.

No sítio, as fêmeas convivem com vacas e ficam enclausuradas em um cercado, presas a correntes de 7 metros de extensão. Maia e Guida foram parar naquele local depois de denúncias que levaram o Ibama a resgatá-­las do Circo Portugal, em Salvador. Seus proprietários assinaram um documento em que se comprometiam a abandonar o hábito de usar animais nos espetáculos e deixaram as elefantas sob os cuidados do advogado Giuliano Vettori, representante legal do picadeiro e dono do sítio. O que era para ser provisório, no entanto, estendeu-se demasiadamente. Mas agora falta pouco para isso mudar: no mês que vem, Maia e Guida finalmente ganharão uma nova casa, adequada às suas necessidades.

O futuro da dupla foi selado em maio deste ano, quando Vettori autorizou o transporte de ambas para outro lugar: o Santuário de Elefantes, espaço que passará a receber exemplares da espécie, localizado na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso. O refúgio, o primeiro do tipo na América Latina, é o projeto de estreia da organização Global Sanctuary for Elephants, criada em 2012, nos EUA, por especialistas em elefantes de diferentes campos da ciência — um deles envolvido com a fundação, em 1995, do Santuário do Tennessee, onde residem treze fêmeas.

“O homem forçou os elefantes a deixar seus domínios e, agora, eles não podem mais retornar às origens, na Ásia ou na África”, afirma a publicitária Junia Machado, presidente do santuário nacional, que abraçou a causa depois de ver os animais em seu habitat na África do Sul e no Quênia. “A meta agora é ao menos garantir a eles um final de vida digno”, completa. Maia e Guida foram capturadas, ainda filhotes, na Tailândia e enviadas ao Brasil para ser exploradas em circos. Elas serão as primeiras residentes do santuário, que deverá receber outro exemplar, vindo do Chile, até o fim deste ano. As despesas da iniciativa chegarão a 7,5 milhões de dólares.

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Comentários

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  1. Junia Machado, MUITO OBRIGADA!! Lindo demais!! Que mais animais sejam resgatados e soltos, vamos lutar por isso!!!

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  2. Simplesmente maravilhoso! Os elefantes sao tao explorados no mundo inteiro, nenhum animal deveria ser tirado de seu habitat. Isso ja e um progresso aqui no Brasil.

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  3. Martinus Felix

    Maravilha! Que pena que as duas ainda vivem acorrentadas no momento! Nem um zoologico faz isso! O local também vai receber elefantes africanos? Já vi as duas espécies dividindo um mesmo recinto sem problemas.

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