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Do jeito que Darwin gosta

Programa de restauração ecológica leva iguanas de volta a seu habitat, no arquipélago de Galápagos

Por Felipe Carneiro - 11 jan 2019, 07h00

A ilha de Santiago, no Arquipélago de Galápagos, ganhou novos moradores na segunda-feira 7. Pesquisadores do Parque Nacional Galápagos levaram 1 436 iguanas-terrestres da espécie Conolophus subcristatus para o local como parte de um programa de restauração ecológica: o último registro de um desses animais na ilha data de 1835, feito pelo naturalista inglês Charles Darwin, pai da teoria da evolução das espécies. A introdução de porcos selvagens no ecossistema, no século XIX, levou os répteis à extinção. Para recuperar o ambiente, os predadores foram erradicados em 2001. As iguanas, de volta ao seu hábitat, foram trazidas da ilha vizinha de Seymour Norte, onde uma superpopulação de 5 000 animais ameaçava a flora local. A volta da espécie para a Ilha de Santiago tem valor histórico, mas também vai ajudar a regular o meio ambiente. “A iguana é um animal herbívoro que ajuda os ecossistemas com a dispersão de sementes e a manutenção de espaços abertos sem vegetação”, diz Danny Rueda, diretor de ecossistemas do parque. Foi justamente o estudo das diferenças entre as iguanas endêmicas das diversas ilhas de Galápagos, assim como de pássaros, que levou Darwin à conclusão de que pequenas mutações nos seres vivos os tornavam mais ou menos aptos a sobreviver em seu ambiente. A 1 000 quilômetros da costa do Equador, o arquipélago, formado por vinte ilhas e dezenas de ilhotas, abriga milhares de espécies de animais e plantas que não são encontrados em nenhum outro lugar do mundo. Por isso, Galápagos foi tão importante na investigação intelectual de Darwin.

Publicado em VEJA de 16 de janeiro de 2019, edição nº 2617

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