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Depois de milhões de anos, concentração de dióxido de carbono pode voltar a ultrapassar 400 partes por milhão

O nível de CO2, o principal gás do efeito estufa, passou de 400 ppm apenas durante o período geológico do Plioceno, entre 3,2 milhões e 5 milhões de anos atrás, quando a Terra era de 2 a 3 graus Celsius mais quente

Nos últimos 800.000 anos, os níveis de dióxido de carbono nunca superaram 300 partes por milhão

A secretária-executiva da Convenção para as Mudanças Climáticas da ONU (UNFCCC), Christiana Figueres, expressou nesta segunda-feira preocupação e fez um apelo por uma ação “urgente”, ante a evolução da concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, a ponto de superar o limiar simbólico dos 400 ppm (partes por milhão).

De acordo com o Observatório Mauna Loa, no Havaí, da Agência americana Oceânica e Atmosférica (NOAA), a concentração de CO2 na atmosfera chegou a 399,72 ppm em 25 de abril. Segundo o Scripps Institution of Oceanography, que trabalha com o Observatório de Mauna Loa, a concentração de CO2 poderá exceder 400 ppm em maio pela primeira vez na história humana.

Os primeiros dados, registrados em março de 1958, registraram 316 ppm. Antes da era industrial e da utilização de combustíveis fósseis, a concentração de CO2 era estimada em 280 ppm.

“O nível de CO2, o principal gás do efeito estufa, provavelmente era de 400 ppm durante o período geológico do Plioceno, entre 3,2 milhões e 5 milhões de anos atrás, quando a Terra era 2 a 3 graus Celsius mais quente”, afirmou o Scripps em um comunicado. Nos últimos 800.000 anos, os níveis de dióxido de carbono nunca superaram 300 partes por milhão.

“Neste ritmo, vamos atingir 450 ppm em poucas décadas”, disse Charles David Keeling, pesquisador da Scripps e considerado uma das maiores autoridades do mundo no estudo de gases de efeito estufa.

Limite – “Estamos perto de exceder o limite de 400 ppm”, declarou Figueres às delegações de mais de 190 países reunidas em Bonn, na Alemanha, para preparar a rodada anual de negociações contra as mudanças climáticas, que terá lugar no final do ano em Varsóvia. “Recebo-os com grande ansiedade”, disse aos negociadores, expressando a necessidade “de um senso de urgência mais forte”. Esta é a primeira reunião das delegações desde a conferência em Doha, no final de 2012.

A comunidade internacional fixou como meta chegar a um acordo até 2015 que exija de todos os países, incluindo os dois maiores poluidores, China e Estados Unidos, a redução de suas emissões de gases do efeito estufa (GEE). O acordo deveria entrar em vigor em 2020.

O objetivo é conter o aumento de dois graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, o limite além do qual os cientistas acreditam que o sistema climático pode entrar em colapso. Segundo o IPCC (Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas) os níveis de CO2 na atmosfera precisam ser limitados ao máximo de 400 ppm para limitar o aquecimento global a 2 e 2,4 graus Celsius.

(Com Agência France Presse)