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Como funcionam os testes que detectam o novo coronavírus

Procedimento é utilizado há décadas e permite que especialistas obtenham cópias do DNA do vírus

Por Sabrina Brito - Atualizado em 24 mar 2020, 17h48 - Publicado em 24 mar 2020, 17h12

Com o crescimento da pandemia do novo coronavírus, os testes que verificam a presença do vírus no organismo têm se tornado cada vez mais populares. Mas como funcionam os procedimentos?

O exame principal para esse fim é conhecido como RT-PCR e vem sido utilizado em laboratórios desde o começo da década de 1980. Trata-se de uma técnica em que os cientistas conseguem coletar uma pequena porção de material genético do vírus e replicá-lo, tornando-o a amostra mais fácil de ser identificada.

O primeiro passo do teste, depois da coleta de material do paciente (geralmente por meio da passagem de um cotonete pela parte interior da bochecha), é a amostra chegar ao laboratório, onde os pesquisadores extraem do genoma do vírus uma parte chamada de ácido nucleico.

Depois, os cientistas conseguem ampliar algumas regiões específicas desse genoma por meio do uso da enzima polimerase. Esse processo permite que eles ampliem a amostra do material genético viral em cerca de 100 milhões de vezes, possibilitando sua comparação com outras amostras já obtidas da nova Covid-19.

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Vale lembrar que o novo vírus possui aproximadamente 30 mil nucleotídeos (os blocos que compõem o material genético). Para aumentar a rapidez e precisão do exame, o mais novo teste de RT-PCR que vem sendo utilizado em alguns países, criado pela Universidade de Washington (EUA), foca em apenas 100 desses nucleotídeos específicos da Covid-19.

Esses 100 nucleotídeos incluem dois genes, os quais os cientistas podem comparar com suas amostras do vírus. Uma amostra é considerada positiva se o teste constata a presença de ambos os genes no material genético do paciente. Se apenas um dos genes é encontrado, o teste é dado como inconclusivo. Se nenhum dos dois genes está presente, o resultado é negativo.

Outra opção de teste é o sorológico, em que o foco é na busca por anticorpos específicos que o corpo costuma produzir quando infectado pela Covid-19. Se esses anticorpos forem identificados, é sinal de que o organismo está ou esteve “em batalha” com o novo vírus. Tanto Singapura quando a China expediram alguns testes desse tipo.

Uma vantagem desse procedimento é a de que os anticorpos podem ser detectados no sangue mesmo depois de o paciente estar recuperado, enquanto o teste da polimerase apontará para a presença do vírus somente se o indivíduo ainda estiver doente.

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No entanto, ambos possuem falhas: se as amostras forem colhidas cedo demais ou quando o corpo do paciente ainda não tiver começado a produzir anticorpos, os resultados podem ser falsos negativos. A produção de anticorpos pode levar até uma semana, de acordo com especialistas.

Ambos são procedimentos relativamente simples, que costumam levar cerca de 72h para serem realizados. No entanto, frente à recente demanda inesperada desses testes, a realização desses processos têm demorado dias ou até mesmo semanas. Existem testes mais rápidos pelo mundo, mas eles ainda estão indisponíveis no mercado global.

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