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Cientistas reformulam teorias sobre o ovo de dinossauro

Novo estudo indica que, diferentemente do que se pensava, parte dos dinossauros botava ovos de casca mole

Por Sabrina Brito - 18 Jun 2020, 20h49

Quando falamos sobre o nascimento de dinossauros, é comum imaginarmos um pequeno réptil quebrando a dura casca de seu ovo para conhecer o mundo. No entanto, um estudo publicado no último dia 17 na revista científica Nature revelou que os primeiros dinossauros botavam ovos de casca mais mole, muito parecido com os de tartarugas.

A pesquisa foi liderada pelo Museu Americano de História Natural e pela Universidade Yale. Para conduzi-la, os cientistas analisaram do ponto de vista geoquímico os ovos de duas espécies distintas dinossauros. A conclusão foi de que suas propriedades mecânicas e composição são semelhantes às encontradas nos ovos de tartarugas.

Até então, a teoria dominante na comunidade científica era a de que esses ovos possuíam cascas duras. Isso porque, ao longo das últimas décadas, os ovos de dinossauros encontrados eram desse tipo. Além disso, as aves e crocodilos — parentes mais próximos dos dinossauros na atualidade — botam ovos de casca dura.

No entanto, é preciso levar em consideração que os ovos encontrados representavam apenas três grupos de dinossauros. Por outro lado, muitas espécies dos grandes répteis foram encontradas na forma de fóssil, mas sem vestígio de seus ovos.

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Pergunta-se: por que esses ovos nunca foram encontrados? Segundo o novo estudo, pode ser que o motivo seja que eles possuíam a casca mole, facilitando sua degradação ao longo dos anos e removendo seus resquícios da terra.

Durante o estudo, os pesquisadores analisaram ovos de duas espécies de dinossauros: os Protoceratops, herbívoros quadrúpedes do tamanho de ovelhas que viveram entre 75 e 71 milhões de anos atrás onde hoje fica a Mongólia, e os Mussauros, também herbívoros que alcançavam mais de seis metros de comprimento e habitavam o planeta entre 227 e 208,5 milhões de anos na atual Argentina.

Os espécimes utilizados no estudo incluem doze ovos e embriões de Protoceratops, seis dos quais apresentavam esqueletos quase completos do animal. Após investigação cuidadosa em laboratório, os cientistas verificaram que ambos os tipos de ovos não possuíam indícios de biomineralização, indicando que eram menos duros e possuíam uma textura parecida com a do couro.

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