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Cientistas editam DNA de embrião humano pela primeira vez nos EUA

Utilizando uma técnica que modifica geneticamente os embriões, os pesquisadores conseguiram corrigir os genes defeituosos que causam doenças hereditárias

Por Da redação 27 jul 2017, 15h11

Um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos conseguiu modificar pela primeira vez os genes de embriões humanos de forma bem-sucedida, informou nesta quinta-feira a revista Technology Review, do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês). O feito pode deixar a ciência mais perto de acabar com as doenças congênitas.

A pesquisa, dirigida pelo biólogo Shoukhrat Mitalipov, da Universidade de Saúde e Ciências do estado do Oregon, conseguiu modificar o DNA de embriões unicelulares com a técnica de edição de genes CRISPR/Cas9. Esse método permite recortar, copiar e deletar partes do DNA como se fosse arquivos digitais de computadores. Com o novo estudo acredita-se que Mitalipov abriu novos caminhos, corrigindo nos embriões os genes defeituosos que causam doenças hereditárias.

  • “Até agora, os cientistas americanos viam a técnica CRISPR com uma mistura de assombro, inveja e certo alarme, já que investigadores de outros lugares foram os primeiros a explorar essa prática polêmica”, de acordo com a revista, que lembrou que, até então, três estudos sobre a modificação genética de embriões humanos já haviam sido publicados por pesquisadores na China.

    Apesar de os cientistas não terem deixado que os embriões se desenvolvessem por mais de alguns poucos dias – e nunca houve intenção de implantá-los em um útero – a pesquisa representa um passo fundamental para o possível nascimento do primeiro humano geneticamente modificado.

    O processo é denominado “engenharia de linha germinal”, pois qualquer indivíduo modificado geneticamente transmitiria essas mudanças às gerações posteriores através de suas próprias células germinais – o óvulo e o esperma. Assim, na teoria, seria possível erradicar os genes que causam doenças congênitas.

    Alguns críticos dizem que os experimentos com linhas germinais poderiam abrir as portas para um novo mundo de “bebês desenhados”, com capacidades superiores às atuais por melhorias genéticas, uma perspectiva à qual se opõem com veemência organizações religiosas, grupos da sociedade civil e especialistas científicos.

    Enquanto algumas instituições americanas consideram a CRISPR como uma potencial “arma de destruição em massa”, a Academia Nacional de Ciências dos EUA considerou seu uso aceitável, mas advertiu que são necessárias mais pesquisas e que a mesma só deve ser considerada em casos nos quais é o último recurso.

    O método de edição do genoma CRISPR foi declarado como a descoberta científica mais importante de 2015 pelas revistas especializadas e recebeu numerosos prêmios científicos desde então.

    (Com EFE)

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