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Cientistas descobrem origem de ‘cachoeira de sangue’ na Antártida

Queda d'água 'enferrujada' vem de um reservatório de água líquida salgada, formado há mais de 1 milhão de anos, localizado abaixo da Geleira de Taylor

Por Da Redação 28 abr 2017, 18h51

Cientistas americanos descobriram que a origem da ‘Cachoeira de Sangue’ que escorre pela Geleira de Taylor, no sudoeste da Antártida, é um reservatório de água líquida, super-salgado e muito antigo, que está embaixo da geleira. Desde que foi descrita, em 1911, a queda d’água de coloração avermelhada, resultado da oxidação do ferro presente em sua composição, tem intrigado cientistas de todo o mundo por se manter em estado líquido, mesmo nas gélidas temperaturas do polo sul. Agora, com o mapeamento do fluxo da água, os geólogos identificaram que ela se formou há mais um milhão de anos, conserva-se em estado líquido dentro da geleira e flui por uma série de canais subterrâneos até chegar à superfície.

“A geleira de Taylor passa a ser a mais fria a ter água persistentemente fluindo”, disse em comunicado a pesquisadora Erin Pettit, da Universidade de Alaska Fairbanks, nos Estados Unidos, uma das autoras do estudo publicado nesta nesta semana no periódico científico Journal of Glaciology.

  • Descoberta pelo geocientista inglês Thomas Griffith Taylor há mais de um século, a queda d’água teve sua coloração avermelhada atribuída, a princípio, a algas. No entanto, ao analisar sua composição, os pesquisadores descobriram que se tratava de oxidação, já que a água era rica em ferro que, ao entrar em contato com o oxigênio do ar, ‘enferruja’. Os pesquisadores descobriram também, em 2009, que o local abriga um complexo ecossistema composto por microrganismos que se alimentam unicamente de ferro e enxofre. Mas, até hoje, a fonte da água líquida da cachoeira ainda não havia sido determinada.

    Cachoeiras de Sangue
    Pesquisadoras coletam dados na geleira de Taylor, onde ocorre o fenômeno da “Cachoeira de Sangue” Jessica Badgeley/University of Alaska Fairbanks/Divulgação

    Fonte d’água

    Para mapear a origem da água, geólogas americanas utilizaram um radar, cujas ondas penetram o gelo, como um geolocalizador. Como resultado, elas identificaram grandes quantidades de água salgada presa há mais de um milhão de anos abaixo da geleira. E é justamente a grande quantidade de sal na água, mais de 13%, que a deixa líquida em baixas temperaturas, pois o sal abaixa o ponto de congelamento da água. De acordo com os cientistas, o ponto de congelamento da água ali está em torno de -7 graus Celsius.

    “Embora pareça estranho, a água libera o calor à medida que congela, e esse calor aquece o gelo ao redor”, explica Erin.

    Líquida, a água escorre por uma série de canais sob o gelo, até desembocar na superfície. As geólogas acreditam que, além da Geleira de Taylor, outras parecidas possam conter grandes quantidades de água líquida dentro de massas de gelo, e funcionarem de maneira semelhante.

    Cachoeiras de Sangue
    “Cachoeira de Sangue” na Geleira de Taylor, que escorre para o Lago Bonney, na Antártida Erin Pettit/University of Alaska Fairbanks/Divulgação

     

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