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Cientistas criam material mais resistente para restauração dentária

Estudo liderado por brasileiras mostra que o cimento ionômero de vidro, ainda em fase de testes, pode ser uma opção mais saudável, prática e resistente à resina e ao amálgama

Por Giulia Vidale - Atualizado em 6 Maio 2016, 16h05 - Publicado em 10 mar 2015, 19h23

Um estudo liderado por cientistas brasileiras desenvolveu um novo material para restaurações dentárias. Os pesquisadores melhoraram as propriedades de uma substância chamada cimento de ionômero de vidro e acreditam que ela pode se tornar uma opção mais resistente e segura à resina e ao amálgama, utilizados atualmente. A descoberta foi publicada nesta terça-feira no periódico Scientific Reports.

De acordo com os cientistas, as vantagens do material são várias. O cimento de ionômero de vidro não precisa de uma camada intermediária de adesivo para se colar ao dente, ao contrário da resina; libera fluoreto, o que ajuda a prevenir cáries; pode ser misturado à mão, descartando o uso de equipamento especial; e não precisa ser iluminado com uma lâmpada para endurecer. Estas duas últimas vantagens são úteis em áreas onde não há eletricidade ou equipamentos odontológicos.

Gráfico estudo cárie

A resina é o material mais utilizado atualmente para preencher as cavidades causadas pela cárie. Ela se assemelha à cor dos dentes e é razoavelmente forte para aguentar os movimentos de mastigação. Entretanto, os preenchimentos precisam ser substituídos com frequência em pacientes com tendência a desenvolver cáries. Outra desvantagem é que a resina requer o uso de um adesivo para colá-la ao dente e isto faz com que o processo de preenchimento seja mais vulnerável.

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A amálgama é outro material utilizado nos tratamentos. Embora seja resistente, está em desuso porque o mercúrio de sua composição traz riscos à saúde e ao meio ambiente.

Estudo – O trabalho para desenvolver um material mais prático e resistente que a resina e livre do mercúrio do amálgama foi realizado na Universidade de Copenhague, na Dinamarca.

De acordo com Heloisa Bordallo, física brasileira pesquisadora da instituição e uma das líderes do estudo ao lado da dentista Ana Benetti, também brasileira, o cimento de ionômero de vidro já é utilizado em obturações, mas não como a primeira escolha de tratamento. O problema é sua porosidade, que o torna mais suscetível à quebra.

Para corrigir esse defeito, os cientistas estudaram a conexão entre a estrutura do material e sua resistência. Eles se concentraram em dois tipos de cimento de ionômero de vidro: o cimento em si e outro com uma mistura de ácidos. Também foram utilizados dois tipos de líquidos para dar liga ao pó de cimento: água comum e água com uma composição ácida.

Os experimentos mostraram que a combinação de cimento com mistura de ácidos e água comum é o material mais fraco. A substância ficou mais resistente na união de cimento puro e água com uma mistura de ácidos.

Os cientistas dizem que são necessários mais testes com novas misturas, como minerais naturais, para criar um material saudável e duradouro. “As propriedades dos cimentos de ionômero de vidro têm melhorado a cada dia. Se nós pudermos aperfeiçoar o material, esperamos ampliar seu uso”, afirmou Heloisa ao site de VEJA.

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