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Cientistas conseguem restaurar olfato com terapia genética

Estudo pode ajudar a desenvolver tratamentos para pessoas que nasceram sem a capacidade de sentir cheiros

Por Da Redação - Atualizado em 6 Maio 2016, 16h27 - Publicado em 3 set 2012, 15h27

Cientistas americanos conseguiram pela primeira vez restaurar o olfato de um camundongo com o uso de terapia genética. O tratamento pode vir a ajudar pessoas que nasceram com anosmia – a incapacidade de sentir cheiros.

Segundo os cientistas responsáveis pelo estudo que testou o tratamento, a terapia regenera estruturas celulares ciliadas, que existem no revestimento interno da traqueia e dos brônquios. Esses cílios funcionam como “antenas” que percebem o ambiente. São essenciais para o sentido olfativo.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Gene therapy rescues cilia defects and restores olfactory function in a mammalian ciliopathy model

Onde foi divulgada: revista Nature Medicine

Quem fez: Jeffrey Martens, Jeremy McIntyre, Ariell Joiner, Corey Williams, Paul Jenkins, Dyke McEwen, Lian Zhang, John Escobado, Randall Reed, Erica Davis, I-Chun Tsai e Nicholas Katsanis, entre outros

Instituição: Universidade de Michigan, Universidade Duke, Universidade Paris V, Universidade de St. James e Universidade do Alabama

Dados de amostragem: camundongos com anosmia (incapacidade de sentir cheiros)

Resultado:aplicação de genes IFT88 saudáveis em camundongos que sofriam de anosmia recuperou a capacidade de olfato dos animais.

Embora o tratamento tenha como alvo as pessoas que nasceram sem olfato, os cientistas afirmam que ele também pode vir a ser útil para pessoas que perderam a capacidade de sentir cheiro por causa da idade, traumas ou acidentes.

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“Nós essencialmente induzimos os neurônios que transmitem o sentido do olfato a recuperar os cílios que faltavam”, disse Jeffrey Martens, cientista da Universidade de Michigan (EUA), que participou do estudo, publicado na edição desta semana do períodico Nature Medicine.

Pouco apetite – Segundo Martens, os camundongos analisados tinham problemas que afetavam um gene chamado IFT88, o que prejudicava o crescimento e o funcionamento dos cílios em seus corpos. De acordo com os cientistas, por causa do problema, os camundongos se alimentavam pouco, já que o apetite de muitos mamíferos é motivado pelo cheiro, e tinham mortes precoces.

Os pesquisadores então inseriram genes IFT88 saudáveis em uma amostra de vírus de gripe comum e contaminaram os camundongos com ele. A infecção permitiu que o vírus espalhasse os genes saudáveis nas células dos camundongos. Os cientistas então passaram a monitorar os camundongos para verificar a recuperação dos cílios.

Segundo o estudo, após o início da terapia, os camundongos começaram a comer mais e, 14 dias depois, já tinham aumentado seu peso em 60%. Testes também mostraram que os neurônios envolvidos na percepção do cheiro reagiam quando os camundongos eram expostos a amostras de acetato de amila, um produto com forte cheiro de banana.

“Nós já sabemos muito sobre o olfato, agora precisamos aprender a consertá-lo quando ele funcionar mal”, disse Martens. Os cientistas também esperam que o tratamento possa vir a ajudar vítimas de outras ciliopatias (doenças na estrutura ciliar do corpo), como doença do rim policístico e a Síndrome de Alstrom, ambas doenças provocadas por desordem no IFT88.

Saiba mais

DOENÇA DO RIM POLISSÍSTICO AUTOSSÔMICO

Doença genética que causa problemas renais. Há formação de cistos no interior do órgão, que crescem progressivamente substituindo o tecido normal, levando à insuficiência renal.

SÍNDROME DE ALTROM

Doença hereditária extremamente rara (foram identificados apenas 501 casos no mundo até hoje), que na infância provoca cegueira progressiva, diabetes, obesidade e surdez.

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