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Cientistas acham nova espécie de dinossauro com chifres

Ossos revelam que o 'Nasutoceratops' pertencia à família do 'Triceratops', mas possuía nariz muito grande e dois chifres compridos por cima dos olhos

Paleontólogos descobriram uma nova espécie de dinossauro que habitou o oeste dos Estados Unidos há 76 milhões de anos: o Nasutoceratops titusi. Com grandes chifres e nariz volumoso, o animal pertencia à mesma família que o famoso Triceratops. Ele habitou uma porção isolada de terra que se formou em um período mais quente do planeta, quando o nível do mar cresceu tanto que inundou a parte central da América do Norte. A espécie e seu habitat estão descritos em uma pesquisa publicada nesta quarta-feira na revista Proceedings of the Royal Society B.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: A remarkable short-snouted horned dinosaur from the Late Cretaceous (late Campanian) of southern Laramidia

Onde foi divulgada: periódico Proceedings of the Royal Society B

Quem fez: Scott D. Sampson, Eric K. Lund, Mark A. Loewen, Andrew A. Farke e Katherine E. Clayton

Instituição: Universidade de Utah, entre outras

Dados de amostragem: Uma ossada encontrada no Monumento Nacional Grand Staircase-Escalante, no oeste dos Estados Unidos

Resultado: A ossada pertencia a um dinossauro da espécie Nasutoceratops titusi, que possuía grandes chifres por cima dos olhos e um nariz relativamente grande

O Nasutoceratops pertencia a um grupo de dinossauros conhecidos como ceratopsídeos, formado por animais grandes, quadrúpedes e herbívoros que habitaram o planeta entre 84 milhões e 70 milhões de anos atrás. Assim como o Triceratops, a maioria dos membros do grupo possuía um crânio grande com três chifres – um em cima de cada olho e um por cima do nariz – e uma placa óssea alongada na parte de trás da cabeça.

A nova espécie possui algumas características únicas, como o nariz grande, localizado em cima de um chifre pequeno em formato de lâmina, e dois chifres curvados no topo da cabeça. A placa óssea, em vez de possuir ornamentos elaborados como espinhos, é relativamente simples e plana. Seu primeiro nome, Nasutoceratops, quer dizer “face com chifres e nariz grande”, enquanto a segunda parte do nome é uma homenagem a Alan Titus, paleontólogo que dedicou sua vida a estudar a região desértica onde os ossos foram encontrados.

Ossada – Por razões que os cientistas ainda não conseguiram entender, todos os ceratopsídeos possuíam um grande nariz, mas o do Nasutoceratops é ainda maior do que no resto da família. “Isso provavelmente não tinha relação com um olfato apurado, uma vez que os receptores de cheiro estão localizados mais ao fundo da cabeça, perto do cérebro. A função dessa estrutura bizarra permanece incerta”, diz Scott Sampson, pesquisador do Museu de História Natural de Utah que participou do estudo.

Rob Gaston

crânio

crânio (/)

Crânio do dinossauro foi encontrado em um região desértica e acidentada dos Estados Unidos

Quanto aos chifres e a placa na cabeça, os pesquisadores têm algumas teorias, que vão desde servir como defesa contra predadores a estruturas que controlavam a temperatura do corpo. A ideia mais aceita, no entanto, é que eles serviriam para a competição por parceiros sexuais. “Os grandes chifres do Nasutoceratops serviam provavelmente como um sinal de dominação. Quando isso não era suficiente, podia servir como arma para enfrentar rivais”, diz Mark Loewen, pesquisador do Museu de História Natural de Utah.

Na época em que o Nasutoceratops habitava o planeta, o nível do mar era tão alto que havia inundado várias regiões baixas ao redor do mundo. Na América do Norte, um oceano raso e quente se estendia desde o Oceano Ártico até o golfo do México, dividindo o continente em duas grande porções de terra. A ossada do dinossauro foi descoberta no Monumento Nacional Grand Staircase-Escalante, uma região alta, desértica e acidentada localizada no estado de Utah – o que significa que, em seu tempo, o animal habitava a porção a oeste da região alagada.

Na última década, os pesquisadores já haviam encontrado mais de uma dúzia de outros dinossauros habitando a mesma região, entre eles outros animais de grande porte. Segundo os cientistas, isso não era esperado, pois não é comum um grande número de espécies grandes dividirem a mesma região. “O Nasutoceratops é um exemplo maravilhoso do quanto ainda temos a aprender sobre o mundo dos dinossauros. Muitos outros fósseis empolgantes esperam para ser descobertos no Monumento Nacional Grand Staircase-Escalante”, diz Eric Lund, pesquisador da Universidade de Utah que participou do estudo.

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