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Cérebros de exploradores da Antártica encolhem durante viagens

Novo estudo pode ajudar a pensar melhor sobre os impactos físicos de expedições longas e isoladas, como aquelas feitas ao espaço

Por Sabrina Brito - 10 dez 2019, 17h47

Segundo uma nova pesquisa publicada neste mês no periódico científico New England of Medicine, passar períodos prolongados na Antártica pode alterar o tamanho do cérebro de uma pessoa. Para menor. De acordo com o estudo, exploradores que viveram por catorze meses em uma estação de pesquisa no continente polar apresentaram encolhimento cerebral causado por isolamento e tédio. Mesmo que, no entanto, as consequências desse processo para a saúde e para a cognição dos exploradores fossem ínfimos, e provavelmente temporários.

Os cientistas responsáveis pelo estudo, todos da Alemanha e dos Estados Unidos, analisaram ressonâncias magnéticas dos cérebros de oito membros de uma equipe de expedição, tanto antes quanto depois da estadia no continente antártico. Durante o período da exploração, o grupo fazia testes de cognição e de memória, além de retirar amostras de sangue.

Comparados esses resultados aos de um grupo de voluntários de mesma idade e sexo dos participantes, os cérebros de quem foi à Antártica apresentava menos massa cinzenta depois da expedição. A região mais afetada foi o hipocampo, área responsável pela memória, por exemplo.

A teoria é de que a viagem tenha alterado a capacidade cerebral de criar novas conexões neurais, a chamada de plasticidade. Esse processo pode ter sido causado pela vida em um único local, e lado a lado com um número limitado de pessoas. Além disso, a monotonia de estar no mesmo ambiente todos os dias pode ter potencializado essa mudança anatômica.

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Porém, os autores do estudo acreditam que os efeitos da viagem no cérebro são temporários, desde que os exploradores retomem suas vidas com diversas interações sociais, de forma muito diferente do que se vive no cenário puramente branco da Antártica.

A pesquisa pode ser relevante, por exemplo, para desenhar o futuro das viagens espaciais. Levando em consideração que expedições a outros planetas poderão ser mais longas e ter ainda menos pessoas do que aquelas feitas para o polo sul, os efeitos desse tipo de isolamento no corpo pode ser um importante ponto ao qual se atentar antes do embarque.

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