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‘Cartão de visitas’ para vida extraterrestre ganha nova versão da Nasa

Enviada ao espaço em 1974, a mensagem de Arecibo é atualizada e rebatizada de “Farol na Galáxia”

Por Alessandro Giannini Atualizado em 22 abr 2022, 18h36 - Publicado em 23 abr 2022, 08h00

Pioneiro da busca por vida inteligente extraterrestre, o astrônomo e astrofísico americano Frank Drake iniciou sua missão no fim da década de 50, quando tinha 29 anos e trabalhava no Observatório Nacional de Radioastronomia, em Green Bank, nos Estados Unidos. Diante da gigantesca antena, um panelão de 25 metros de largura que acabara de ser construído, Drake começou a se perguntar como poderia tirar melhor proveito daquilo. Após alguns cálculos, ele chegou à conclusão de que, se outra geringonça parecida existisse em um sistema a alguns anos-luz de distância, ambos os equipamentos poderiam se comunicar por meio de sinais de rádio.

Quase uma década e meia depois, o cientista seria um dos arquitetos da mensagem de Arecibo, primeira tentativa de enviar uma “carta de apresentação da humanidade” capaz de ser compreendida por uma inteligência alienígena. A dois anos do cinquentenário da missiva original, um grupo de pesquisadores propõe agora uma atualização desse já ultrapassado cartão de visita, rebatizando-o, com genuína ambição, de “Farol na Galáxia”.

arte Nasa

A transmissão pioneira aconteceu em 1974, a partir do Radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico — daí o nome. A mensagem, tradução em código binário de um gráfico simplificado contendo a figura de um ser humano, números de 1 a 10 e outros elementos visuais (leia quadro), foi enviada como um sinal de rádio na direção do Grande Aglomerado Globular da Constelação de Hércules, ou simplesmente M13. Esse conjunto estelar está a cerca de 22 000 anos-luz de nós, às margens da Via Láctea, e contém mais de 300 000 estrelas. O enorme refletor esférico de 305 metros de diâmetro irradiou a mensagem naquela direção, na esperança de que uma antena gêmea estivesse no caminho dos sinais enviados e pudesse decodificá-­los. Os russos fizeram tentativas parecidas em 1999 e 2003, batizadas de “chamadas cósmicas”. Em 2017, os organizadores do festival de música espanhol Sónar mandaram clipes de shows para o espaço. Ainda esperamos uma resposta dos nossos companheiros alienígenas.

Em vista dos avanços tecnológicos e da exploração do universo além das fronteiras terrestres, uma equipe de cientistas da Nasa propôs atualizar a mensagem de Arecibo idealizada por Drake. O chamado Farol na Galáxia, dizem os pesquisadores, será bem mais volumoso, moderno e informativo. Incluirá conceitos matemáticos e físicos básicos, seguidos de informações sobre a composição bioquímica da vida na Terra, a posição do sistema solar na Via Láctea em relação a aglomerados estelares conhecidos, bem como representações digitalizadas dos planetas e da superfície da Terra. “A humanidade tem uma história convincente para compartilhar e o desejo de conhecer os outros — e agora tem os meios para fazê-lo”, escrevem os autores no artigo publicado em um site da Universidade Cornell.

LONGO ALCANCE - Radiotelescópio na China: ele enviará novas mensagens -
LONGO ALCANCE - Radiotelescópio na China: ele enviará novas mensagens – Liu Xu/XINHUA/AFP

Como a antena de Arecibo foi desativada e destruída em 2020, a equipe de cientistas liderada por Jonathan Jiang, astrofísico da Nasa, deve enviar a nova mensagem por meio de sinais de rádio do Allen Telescope Array, nos Estados Unidos, ou do Radiotelescópio Esférico com 500 metros de Abertura, na China. As datas prováveis, em virtude da posição da Terra, são 30 de março ou 4 de outubro. O alvo é uma região da Via Láctea a cerca de 13 000 anos-luz do centro galáctico, uma área onde, segundo estudos recentes, há mais probabilidade de a vida se desenvolver. Diferentemente dos discos enviados em 1977 nas naves Voyager, com saudações em 55 idiomas e elementos da cultura humana (os Beatles acabaram sendo trocados por Chuck Berry), os sinais de rádio são uma aposta de longo prazo. Uma esperança de que, algum dia, extraterrestres consigam reconhecer nas mensagens uma parte positiva do legado humano da Terra.

Publicado em VEJA de 27 de abril de 2022, edição nº 2786

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