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Astrônomos descobrem primeiro cometa ‘brasileiro’

A partir de um observatório particular no interior de MG, trio encontrou o cometa C/2014 A4 Sonear, reconhecido pela União Astronômica Internacional no dia 16

Em um pequeno observatório particular inaugurado há pouco mais de um mês, três brasileiros descobriram, pela primeira vez, um cometa. Ele foi visto no último dia 12, confirmado por um observador italiano dois dias depois e oficializado pela União Astronômica Internacional em 16 de janeiro. Batizado de C/2014 A4 Sonear, o novo cometa carrega o nome do observatório que o encontrou – Sonear é a sigla para Southern Observatory for Near Earth Asteroids Research, como se chama o local construído pelos três astrônomos amadores perto de Oliveira, cidade a 120 quilômetros de Belo Horizonte.

“Foi um pouco de sorte, da qualidade do nosso telescópio e de muito trabalho duro”, disse ao site de VEJA Cristóvão Jacques que, junto com Eduardo Pimentel e João Ribeiro, foi responsável pela descoberta. O cometa foi visto de um telescópio de 450 milímetros de diâmetro, fabricado sob encomenda no Brasil para as observações. Com ele, o trio vem patrulhando o céu desde o dia 18 de dezembro, procurando por objetos que passem próximo à Terra. Trata-se do único programa de buscas por objetos assim em atividade no Hemisfério Sul.

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Descobertas astronômicas – A atividade consiste em tirar fotos do céu à noite e analisá-las durante o dia. Quando viram o objeto, os astrônomos amadores não tinham a certeza de que ele era um cometa. Transmitiram a informação ao Minor Planet Center, um centro financiado pela NASA que mantém um banco de dados com todos os objetos já descobertos, que repassou as coordenadas a observadores ao redor do mundo. Foi um italiano, amigo de Jacques, quem confirmou que o objeto tinha as características de um cometa. Astrônomos em todo o planeta calcularam seu tamanho e órbita provisória. O C/2014 Sonear tem cerca de 20 quilômetros de diâmetro e vai passar a aproximadamente 420 milhões de quilômetros da Terra, em setembro de 2015.

O trio de observadores mineiros começou a vasculhar o céu em busca de objetos próximos à Terra em 1999. Jacques é engenheiro, Eduardo é advogado e Pimentel é jornalista e professor. Eles costumam dedicar as horas vagas às descobertas astronômicas. Já encontraram treze asteróides no cinturão principal do Sistema Solar, entre Marte e Júpiter. Deram a um deles o nome Marcospontes, em homenagem ao astronauta brasileiro, e batizaram o outro de Simon-Garfunkel, dupla de cantores do qual Jacques é fã. Em 2009, iniciaram o planejamento do observatório, que ficou pronto em junho de 2013. O telescópio começou a funcionar a todo vapor em dezembro. “Ficamos muito contentes de estar contribuindo para a ciência e para a divulgação das atividades astronômicas brasileiras”, disse Jacques.