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Ancestrais africanos podem ter cruzado com espécie humana desconhecida

Segundo novo estudo, os genomas de denisovanos e neandertais não são suficientes para explicar a complexidade do DNA africano

Por Sabrina Brito - 13 fev 2020, 16h38

De acordo com um estudo publicado ontem (12), os ancestrais das atuais populações que ocupam a parte ocidental da África teriam cruzado com uma espécie ainda desconhecida de humanos pré-históricos. Veiculada no periódico científico Science Advances, a pesquisa foi comandada pela Universidade da Califórnia em Los Angeles.

Segundo o artigo, o cruzamento entre essas duas espécies teria sido semelhante ao que ocorreu entre neandertal e os ancestrais dos europeus modernos, ou entre os denisovanos e os ancestrais dos habitantes da Oceania. O trabalho é uma tentativa de explicar a variação genética presente nos africanos atuais, até agora pouco estudada.

O processo de surgimento de novas espécies por esse método é bastante comum. Ele ocorre quando membros de duas populações cruzam entre si, resultando em indivíduos híbridos que, por sua vez, cruzam com membros das populações de seus antecessores.

Estudos anteriores já haviam indicado que os moradores da porção ocidental da África não possuem grandes heranças neandertais ou denisovanas. Assim, foi criada a hipótese de que eles poderiam carregar os genes de uma espécie ainda desconhecida de ser humano.

Na pesquisa, os cientistas compararam os genomas de 405 africanos com os de neandertais e denisovanos. As diferenças encontradas foram atribuídas a essa terceira espécie desconhecida, cujos ancestrais teriam se separado do nosso galho na árvore da vida antes dos neandertais, nossos parentes humanos mais próximos, em termos temporais.

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