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Gilberto Dimenstein: vítima de câncer, jornalista morre aos 63 anos

Com extensa carreira no jornal 'Folha de S. Paulo' e passagem por VEJA, profissional recebeu vários prêmios e se destacou na atuação pela infância

Por Da Redação Atualizado em 29 Maio 2020, 12h09 - Publicado em 29 Maio 2020, 11h53

O jornalista Gilberto Dimenstein morreu nesta sexta-feira, 29, aos 63 anos, em razão de um câncer no pâncreas, que levou a uma metástase no fígado. Dimenstein ficou conhecido pelo seu trabalho no jornal Folha de S. Paulo, onde atuou por 28 anos (de 1985 a 2013), foi membro do Conselho Editorial por mais e vinte anos (entre 1992 e 2013), colunista, correspondente em Nova York e diretor da Sucursal de Brasília. Ele também trabalhou em VEJA, CBN, Jornal do Brasil, O Globo, Correio Braziliense, Última Hora e Revista Visão.

Em 2008, fundou o site Catraca Livre, onde se dedicava à cobertura de temas políticos, culturais e de direitos humanos. O site foi eleito o melhor blog de cidadania em língua portuguesa pela Deutsche Welle em 2012 e apontado pela Universidade de Oxford, BBC e Financial Times como uma das mais importantes inovações digitais de impacto social no mundo em 2013. O site também venceu o Prêmio de Veículos de Comunicação (2017), Prêmio Jovem Brasileiro (2015 e 2016), E-award (2014) e Digitalks (2015).

Ele lutava contra o câncer desde o ano passado. Em entrevista à Folha em dezembro de 2019, ele fez um relato emocionado sobre a luta conta a doença.

“Câncer é algo que não desejo para ninguém, mas desejo para todos a profundidade que você ganha ao se deparar com o limite da vida. Não queria ter ido embora sem essa experiência. Grande parte da minha vida foi marcada pelo culto a bobagens: ganhar prêmio, assinar matéria na capa, o tempo todo pensando no próximo furo. É como se estivesse passando por um lugar lindo num trem em alta velocidade, vendo tudo borrado. Quando você tem um câncer (ainda mais como o meu, de metástase e de pâncreas, um tipo muito agressivo), não há alternativa. Ou vive o presente ou sua vida vira um inferno. E aí começam a aparecer coisas incríveis. Gosto de andar de bicicleta, e comecei a sentir o vento no rosto, como se estivesse sendo beijado. Você vê seu neto deitado com você [Dimenstein tem um neto de dois anos e espera o segundo para daqui a seis meses]. Acorda com os bem-te-vis e escuta os bem-te-vis”.

Nascido em São Paulo em 28 de agosto de 1956, Dimenstein vem de uma família judaica, filho de um pernambucano e de uma paraense. Formou-se em jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Foi acadêmico visitante do programa de Direitos Humanos da Universidade de Columbia (EUA), entre 1995 e 1998, e fez parte de incubadora de projetos de Harvard (EUA), entre 2011 e 2013.

Ele também se dedicou à atuação na área da infância. Criou o Projeto Aprendiz, que foi apoiado por Unicef e Unesco. Foi um dos criadores da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi). O envolvimento com o tema veio a partir do livro Meninas da Noite – A Prostituição de Meninas Escravas no Brasil, escrito entre 1991 e 1992. Seu livro O Cidadão de Papel, sobre diretos da criança, venceu o Prêmio Jabuti na categoria de melhor livro de não-ficção em 1993. Também presidiu o conselho da Orquestra Sinfônica de Heliópolis, em São Paulo, e era membro do conselho consultivo do Museu do Amanhã, no Rio.

Como jornalista, recebeu diversos prêmios, inclusive o Prêmio Esso de 1988, na categoria principal, com a reportagem “A lista da fisiologia”, sobre interferência política na distribuição de recursos da área social. Em 1989, venceu o Prêmio Esso, na categoria Informação Política, com a reportagem “O grande golpe”.  Também ganhou Prêmios Líbero Badaró de Imprensa, um Prêmio Comunique-se, na categoria Jornalista de Cultura – Mídia Livre (2012), um Prêmio Nacional de Direitos Humanos junto com D. Paulo de Evaristo Arns (1995), um Prêmio Criança e Paz, da Unicef (1993), e Menção Honrosa do Prêmio Maria Moors Cabot, da Faculdade de Jornalismo de Columbia, em Nova York (1990).

Dimenstein é autor de diversos livros, como A República dos Padrinhos: Chantagem e Corrupção em Brasília (1988); As Armadilhas do Poder – Bastidores da Imprensa (1990); A Guerra dos Meninos – Assassinatos de Menores no Brasil (1995); A Democracia em Pedaços (1996);  O Aprendiz do Futuro (1997); O Mistério das Bolas de Gude (2006); Fomos Maus Alunos (2009) e Mundo de REP (2002).

É coautor de A Aventura da Reportagem (1990), com Ricardo Kotscho; A História Real – Trama de uma Sucessão (1994), com Josias de Souza; O Brasil na Ponta da Língua (2002), com Pasquale Cipro Neto; Prazer em Conhecer (2008), com Miguel Nicolelis e Drauzio Varella; É Rindo que se Aprende (2011), com Marcelo Tas, entre outros.

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