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Viradouro desponta como favorita da Série A na Sapucaí

Escola de Niterói fez o desfile mais empolgante. Cubango, Estácio de Sá, Unidos de Padre Miguel e Inocentes de Belford Roxo estão na briga

Por Rafael Lemos - 2 mar 2014, 14h15

A abertura dos envelopes da Série A (antigo Grupo de Acesso do Rio de Janeiro) reserva fortes emoções aos amantes do Carnaval carioca na Quarta-feira de Cinzas. Com o desfile mais empolgante do ano, a Unidos do Viradouro, que se apresentou na noite de sábado, desponta como favorita após encantar pela beleza das alegorias e fantasias, além da força do canto de seus componentes. O sonhado retorno da escola de Niterói ao Grupo Especial esbarra, no entanto, em atuações de alto nível de pelo menos quatro adversárias: Cubango, Estácio de Sá, Unidos de Padre Miguel e Inocentes de Belford Roxo.

Sem o mesmo prestígio do grupo de elite, as escolas da Série A protagonizam um espetáculo que evolui a passos largos nos quesitos qualidade, organização e credibilidade. Pelo segundo ano consecutivo, os desfiles aconteceram na sexta-feira e no sábado de Carnaval, com direito a transmissão da TV Globo. Esse amadurecimento do grupo se traduz em um equilíbrio inédito, com várias candidatas reais ao título.

A proposta do enredo da Viradouro era falar do Rio de Janeiro e de Niterói, colocando a própria escola como elo entre as duas cidades. Rebaixada em 2010, a vermelho-e-branca ainda conserva a aura de Grupo Especial, o que ficou bem claro assim que os 2.500 componentes adentraram a Marquês de Sapucaí, na madrugada deste domingo.

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A Viradouro ainda ousou – e acertou – com uma manobra arriscada, trazendo a bateria um pouco mais para frente do corpo da escola para incendiar ainda mais o desfile. Assumiu, assim, o risco de causar um desequilíbrio e prejudicar a empolgação dos componentes das últimas alas – é o temor desse desencontro que leva as agremiações a posicionar os ritmistas exatamente no meio do desfile. A escola passou no teste, e não comprometeu o canto, a harmonia nem o conjunto.

Outro destaque foi a comissão de frente, que apresentou a lenda de Arariboia, o cacique considerado fundador de Niterói. Na última alegoria, a escola ainda homenageou o carnavalesco Joãosinho Trinta, campeão com a escola no Grupo Especial em 1997, trazendo um Cristo coberto de preto junto ao símbolo da Praça da Apoteose e a frase: “Mesmo proibido olhai pela Viradouro”. A repetição e a homenagem, apesar de nada terem de surpreendentes, são eficazes para conquistar a simpatia das arquibancadas e aumentar a dose de emoção da apresentação.

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Outra vermelha-e-branca acostumada a brilhar no Grupo Especial, a Estácio de Sá também mostrou força em seu desfile. A agremiação desfilou logo após a Viradouro. Com um belo conjunto de alegorias e fantasias, ainda teve como destaques a atuação da bateria do mestre Pablo e a competência de fazer uma apresentação com poucas margens para perda de pontos.

Já a Unidos de Padre Miguel, que também se apresentou na madrugada deste domingo, foi a grande surpresa desse ano e também a maior ameaça à Viradouro. Com um enredo sobre enigmas, a escola tinha tudo para se afundar em obviedades, mas acabou fazendo um desfile criativo e de leitura extremamente fácil para público e jurados. A euforia, no entanto, deu lugar à frustração quando uma das alegorias enguiçou em frente a uma cabine de jurados, atrasando a escola. Com sério risco de estourar o tempo máximo de desfile e ser punida, Padre Miguel teve que correr e certamente perderá décimos importantes no quesito evolução.

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Na primeira noite de desfiles, de sexta para sábado, o principal destaque foi a Inocentes de Belford Roxo. A escola da Baixada Fluminense esteve no Grupo Especial em 2013. Com um excelente conjunto de alegorias e fantasias, a Inocentes também deve conquistar pontos importantes com a comissão de frente e o casal de mestre-sala e porta-bandeira.

Uma grata surpresa foi o Paraíso do Tuiuti, que empolgou com a reedição do clássico enredo “Kizomba, festa da raça”, que deu o título do grupo Especial à Vila Isabel, em 1988. Império Serrano e Porto da Pedra também fizeram bonito, mas cometeram erros suficientes para tirá-las da briga.

A menção honrosa fica para a Em Cima da Hora. Campeã do Grupo B no ano passado, a escola reconquistou o direito de desfilar na Marquês de Sapucaí. E emocionou com a reedição de um enredo dela mesma: “Os Sertões” (1976). Na época, a escola desperdiçou um dos maiores sambas-enredo da história do Carnaval em um desfile marcado por um temporal e carros quebrados. Dessa vez, no entanto, deu tudo certo. A escola deve conseguir se manter no grupo em 2015.

As mais cotadas para o rebaixamento são Rocinha, Tradição e Alegria da Zona Sul. Na Série A, três escolas são rebaixadas. No ano seguinte, apenas a campeã do Grupo B sobe.

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