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Vídeo: Deputados petistas criam confusão na comissão do impeachment

Um mero ato protocolar terminou em confusão na comissão do impeachment em andamento na Câmara dos Deputados. Na sessão da última quarta-feira, quando estava agendados os depoimentos dos autores da denúncia contra Dilma Rousseff, a lista de inscrições para pronunciamentos foi alvo de dura disputa momentos antes do início da audiência. Deputados em sua maioria do PT, entre eles Carlos Zarattini (SP), Vicente Cândido (SP) e Luiz Sérgio (RJ), se aglomeraram ao redor da folha de inscrições para garantir a fala – e, assim, aplicar as já conhecidas manobras para protelar ou tumultuar os trabalhos do colegiado.

A confusão começou ainda quando o plenário estava fechado. Pelas regras da Casa, as portas da comissão são abertas uma hora antes da sessão, quando os parlamentares entram, marcam presença e garantem a fala. No entanto, diante da demora na abertura da sala, os deputados começaram a montar uma lista por ordem de chegada enquanto aguardavam do lado de fora.

Vídeo obtido pelo site de VEJA ilustra a corrida pelas inscrições, com parlamentares se amontoando para garantir a fala, puxando o papel da mão de colegas e discutindo. “Eles agiram com falta de educação e com agressividade. Está mais do que comprovado que tentam a todo tempo desqualificar esse processo que é legítimo e acabam tumultuando e postergando os trabalhos”, disse a deputada Sheridan (PSDB-RR), responsável por articular a lista na entrada da comissão. Em meio ao tumulto, a secretaria do colegiado determinou que apenas seriam aceitas as assinaturas colhidas em plenário, de modo a inviabilizar a lista paralela.

No fim das contas, o esforço dos governistas foi em vão: os trabalhos da comissão foram encerrados logo após a fala dos juristas Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal e dos líderes das bancadas devido ao início da ordem do dia – os nomes de 51 deputados estavam na lista de inscrições. Diante da impossibilidade de contestar os denunciantes de Dilma Rousseff, deputados governistas partiram com o dedo em riste e aos berros em direção ao presidente Rogério Rosso (PSD-DF), que determinou o fim da sessão. Em seguida, outros dois deputados – Ivan Valente (PSOL-SP) e Caio Nárcio (PSDB-MG) – trocaram empurrões e tiveram de ser apartados pela segurança.

Apesar do tumulto, os prazos não foram alterados e a presidente Dilma Rousseff tem até a próxima segunda-feira para apresentar sua defesa. Ela será representada pelo advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo. A expectativa é a de que o processo de impeachment seja julgado no plenário da Casa em meados de abril.