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Vazamento de gás interdita terminal portuário no Guarujá; fumaça tóxica alcança Santos

Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil do Estado confirmam que houve vazamento químico e pode haver risco à vizinhança; cinquenta e uma pessoas procuraram hospitais

Um vazamento de gás de grandes proporções em um terminal de cargas no Guarujá provocou uma grande nuvem tóxica, que se espalhou pela região portuária de Santos. Cinquenta e uma pessoas procuraram os hospitais com irritação nos olhos e problemas respiratórios, segundo o último balanço da Prefeitura do Guarujá.

De acordo com informações preliminares, a água da chuva teria se infiltrado em um dos contêineres do terminal da Localfrio, na margem esquerda do Porto de Santos, e reagido com produtos químicos, causando muita fumaça, fogo – dezesseis contêineres pegaram fogo – e algumas explosões. Segundo o Corpo de Bombeiros do Guarujá, o fogo ainda não havia sido totalmente controlado até as 22h.

A Localfrio disse que os contêineres continham ácido clorídrico e dicloroisocianurato de sódio, e não amônia como chegou a ser noticiado. Ainda não há informações precisas sobre os danos à saúde que a fumaça pode causar.

Ao site de VEJA a prefeita de Guarujá, Maria Antonieta de Brito, disse que, no total, já foram identificadas pelo menos oito substâncias químicas que estavam nos contêineres. “Ainda não se sabe com precisão quantos produtos químicos estiveram nesse processo de combustão. Solicitamos à Localfrio a relação das substâncias de cada um dos contêineres que estavam empilhados”, disse. “Certamente, havia muitas substâncias orgânicas, inorgânicas e tóxicas, que causaram, num primeiro momento, irritação nos olhos, na garganta, náuseas e desmaios”, disse. Ela fez um apelo para que os moradores fiquem em casa, mantenham as janelas fechadas e não usem panos úmidos.

A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) informou que as manobras de entrada e saída de navios para o terminal atingido foram suspensas pela Capitania dos Portos de São Paulo. A companhia destacou que a medida é preventiva e que a atividade será retomada quando a situação se normalizar. Os demais terminais do Porto de Santos operam normalmente.

Reação – De acordo com Rogério Machado, professor de Química e Meio Ambiente da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o ácido dicloroisocianúrico é usado para tratamento de água. Para Machado, o produto deveria estar absolutamente protegido e permitir que entrasse em combustão pelo contato com a água foi um “erro grosseiro”. Ele não descartou, entretanto, que haja algum outro produto químico de alta combustão envolvido.

Machado explicou que o ácido dicloroisocianúrico é armazenado em estado sólido. O professor esclareceu que o produto, assim como qualquer outro à base de cloro, causa queimadura nas vias respiratórias e ataca olhos e pele. Ele aponta que o maior perigo para o ser humano é a intoxicação pelo gás e, caso seja inalado em grande quantidade, pode até mesmo matar.

Manuais de segurança apontam que o dicloroisocianurato de sódio é um produto bastante tóxico, que irrita os olhos e as vias respiratórias e apresenta riscos ambientais de longa duração, em particular para a vida aquática. Deve ser armazenado longe da água e da exposição direta ao sol.

(Da redação)