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Transferência de combustível de navio é suspensa

Por Ernesto Batista

São Luís – A operação de retirada de 2,5 mil toneladas de óleo diesel e óleo bruto que estão nos tanques de combustível do supergranelerio Vale Beijing foi suspensa a pedido da operadora do navio, a sul-coreana STX Pan Ocean. O motivo é que alguns equipamentos necessários para a realização da operação – como um scanner a prova d’água e uma barreira móvel (Current Buster) para evitar alastramento de vazamentos de derivados de petróleo – ainda não chegaram à baía de São Marcos, no Maranhão, como estava previsto na semana passada.

Hoje, uma reunião entre técnicos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Capitânia dos Portos do Maranhão (CP-MA), do armador sul-coreano e da empresa de salvamento marítima holandesa Smit serviu para definir uma data para a simulação da operação de transferência do combustível para uma balsa e marcar a operação propriamente dita. “Estamos tratando o caso com cuidado e critério para garantirmos a segurança da operação. O diálogo entre o Ibama, a Marinha e as empresas de salvamento marítimo está sendo feito com transparência. Todas as ações estão sendo acordadas antes”, disse o superintendente do Ibama em São Luís, Pedro Leão.

Ele disse ainda que a empresa de salvamento deu entrada em uma solicitação para transferir o Vale Beijing para um lugar mais longe da costa. “Segundo os técnicos da empresa, o motivo é a intensidade das correntes marítimas onde o navio está hoje. Eles alegaram que as águas são mais calmas na nova área”, informou Leão. A supergraneleiro apresentou duas rachaduras – uma em cada lado – no tanque de lastro nº 7 há cerca de duas semanas, enquanto era carregado com minério de ferro no Terminal Portuário de Ponta da Madeira (TPPM), que é operado pela mineradora Vale.

O navio chegou a receber 263,4 mil toneladas de minério e 7,5 mil toneladas de derivados de petróleo antes do incidente e apresentou um desnivelamento de quatro metros entre a popa (parte traseira do navio) e a proa (parte dianteira da embarcação) por causa do volume de água que entrou no tanque rachado.

Um inquérito administrativo foi aberto pelos militares para investigar as causas do incidente, logo depois que as rachaduras foram percebidas: trabalha-se com hipótese de erro na operação de embarque de carga, problemas na construção do navio, que estava em sua primeira viagem, e fadiga do material. Ao mesmo tempo o Ibama notificou o armador sul-coreano e passou a monitorar a embarcação. Nenhum vazamento de óleo ou da carga de minério de ferro foi detectado.