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Sobrinha de Abdelmassih contesta vítima de estupro

Em noite de autógrafo do livro que narra abusos e a caçada pelo ex-médico, Vana Lopes foi confrontada por uma sobrinha dele, Roberta Amaral

Vítima de estupro do ex-médico Roger Abdelmassih, Vana Lopes foi confrontada por uma sobrinha dele nesta quinta-feira durante o lançamento de um livro que narra a sua história, em São Paulo. Vana promovia uma sessão de autógrafos do livro Bem-Vindo ao Inferno – a História de Vana Lopes, quando foi interpelada por Roberta Amaral, parente do ex-médico.

Vana disse que reconheceu Roberta na fila de autógrafos. “Quando ela chegou na ponta [da fila], disse para mim: ‘Você sabe que não é verdade’. Então eu respondi: ‘Então seja bem-vinda à verdade’.” Segundo ela, a sobrinha de Abdelmassih afirmou que iria ler a obra, escrita pelos jornalistas Claudio Tognolli e Malu Magalhães. O prefácio é do juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, e de sua mulher, Rosângela Moro.

A vítima disse que Roberta não chegou a ofendê-la, mas foi “um pouco agressiva” ao dizer que ela tinha acabado com a vida de sua mãe, de 80 anos, irmã de Abdelmassih. “Ela estava emocionada, acho que no fundo agora ela está sofrendo muito, porque não há mais dúvidas [da culpa de Abdelmassih].”

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Vana disse que, em vez de ficar com raiva, teve um sentimento de solidariedade em relação à sobrinha do homem que a violentou. “Queria abraçá-la, mas ela veio na posição de ataque, então não pude fazer nada. Eu não acabei com a vida dela, quem acabou com tudo sempre foi ele, quem levou o nome Abdelmassih para lama foi ele. Eu sou a vítima da história, quem é o criminoso é ele.”

Ela disse ter reconhecido Roberta porque na época do escândalo teve contato com familiares de Abdelmassih que tentavam defendê-lo. “A família o defendia, inclusive a Roberta, que acobertou onde ele estava”, relatou.

O ex-médico Roger Abdelmassih foi condenado, em 2010, a 181 anos, onze meses e doze dias de reclusão por 48 estupros a 37 mulheres. Ele foi preso em agosto do ano passado no Paraguai, após passar três anos foragido da Justiça brasileira.

(Com Estadão Conteúdo)