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Seis meses depois, áreas com risco de contaminação por gás metano seguem sem avaliação

Devido aos casos do Center Norte e do Cingapura, foram solicitados estudos de outras seis áreas do entorno. Prazos para apresentar relatórios foram prorrogados pela Cetesb e pelo Ministério Público

Passados seis meses do episódio de contaminação de gás que deixou o Shopping Center Norte fechado por dois dias e quase desalojou 5.000 moradores do conjunto habitacional Cingapura, na Zona Norte de São Paulo, os locais do entorno suspeitos de terem o mesmo problema ainda não foram avaliados pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Ao todo, seis áreas foram apontadas como suspeitas de contaminação por gás metano do subsolo (veja no mapa abaixo). Mas a agilidade nas ações com relação a esses lugares nem de longe lembra a rapidez dos acontecimentos quando foi anunciada a possibilidade do shopping explodir.

Empresas e órgãos públicos foram construídos nesses locais, onde antes existiam lagoas que foram aterradas para darem lugar a depósitos de lixo e material orgânico. A Cetesb notificou as empresas que ocupam essas áreas em 11 de outubro do ano passado e deu prazo de 45 dias para a apresentação dos relatórios técnicos de investigação da presença de gás no subsolo.

Porém, segundo Elton Gloeden, coordenador do Departamento de Áreas Contaminadas da Cetesb, a pedido das empresas foram negociados novos prazos atendendo às especificidades de cada uma. “Algumas tiveram prazos mais longos. De qualquer forma, essas novas datas terão de ser cumpridas porque temos de entregar ao Ministério Público o relatório da situação da área do entorno do Center Norte”, afirmou Gloeden. A Cetesb não informou quais empresas ainda não entregaram os estudos. Se não cumprirem o prazo, as empresas poderão ser multadas.

Segundo a promotora Claudia Cecilia Fedeli, da Promotoria de Meio Ambiente do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), a agência ambiental tem até o fim deste mês para dar um parecer sobre as seis áreas. O prazo já foi prorrogado uma vez, em fevereiro.

“A Cetesb não deu nenhuma justificativa para não ter entregado o estudo ainda, mas decidimos ampliar o prazo e vamos aguardar”, afirmou a promotora. “Se for o caso, chamaremos os membros da companhia para uma conversa”. Segundo a Cetesb, para confirmar a contaminação são feitas, basicamente, a coleta de amostras e análises de solo ou de água subterrânea.

A promotora Claudia Fedeli afirmou que tanto no Center Norte como no Cingapura as medidas emergenciais determinadas pelo MP e pela Cetesb estão sendo cumpridas. No shopping, que chegou a ter queda de 30% no movimento durante o episódio, inicialmente foram instalados 11 drenos e, em seguida, mais quatro.

A assessoria de imprensa do Center Norte, também responsável pelo Expo Center Norte e pelo Novotel, afirmou que os estudos solicitados pela Cetesb nessas áreas já foram entregues. “Com base nos resultados, o Center Norte instalou sistema de extração de metano também nesses empreendimentos”, afirmou, em nota.

Ana Paula de Oliveira, moradora do conjunto Cingapura da Avenida Zaki Narchi Ana Paula de Oliveira, moradora do conjunto Cingapura da Avenida Zaki Narchi

Ana Paula de Oliveira, moradora do conjunto Cingapura da Avenida Zaki Narchi (/)

Mal que veio para o bem – Passado o susto de quase perderem suas casas da noite para o dia, os moradores do Cingapura da Avenida Zaki Narchi, que tem 700 apartamentos, são unânimes em afirmar que o problema da contaminação de gás acabou sendo um mal que veio para o bem. Junto com as obras para a instalação dos 20 drenos, começaram a ser feitas melhorias na estrutura dos prédios.

“Antes disso, ninguém olhava para o Cingapura”, disse a cabeleireira Salvina da Silva, de 38 anos. Moradora do lugar há mais de uma década, Salvina nunca tinha visto uma reforma ser feita no conjunto. Atualmente, ela faz parte da associação de moradores do Cingapura, criada após a ameaça de desalojamento.

No início de outubro de 2011, os moradores do Cingapura foram surpreendidos com uma ordem judicial para deixarem suas casas porque haveria um “risco iminente” por causa da contaminação de gás. A informação seria de um laudo da Cetesb.

“Recorremos da decisão argumentando que o laudo havia sido interpretado de maneira equivocada e conseguimos manter os moradores em suas casas”, disse o advogado Fábio Fujimoto.

Dentro da casa da auxiliar de cozinha Ana Paula de Oliveira, de 31 anos, está um dos pontos de medição de gás, monitorado pelos técnicos de uma empresa contratada pela prefeitura. Toda semana eles fazem uma avaliação. Quando foi revelada a contaminação do Cingapura, o monitoramento era diário. “No início fique bastante assustada”, contou. “Mas agora a situação está sob controle e a comunidade acabou ganhando mais atenção do governo”. Parte das obras emergenciais no Cingapura termina este mês.

Outras áreas – Quando foram detectadas as contaminações de gás no Center Norte e no Cingapura, a Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente da Câmara Municipal pediu que a Cetesb fizesse a análise de outras 13 áreas do entorno. O pedido de investigação foi feito formalmente numa audiência na Câmara Municipal. Porém, segundo o vereador Juscelino Gadelha, membro da comissão, ainda não foi enviada nenhuma resposta. “A impressão que tenho é que o assunto ficou meio esquecido”, afirmou o vereador. Mesmo assim, ele prepara um novo estudo com mais de 30 áreas de lagoas aterradas onde hoje estão construídas edificações.

A Cetesb informou que o levantamento das 13 áreas foi considerado, mas que, para um estudo mais direcionado, seriam necessários outros indícios de possibilidade de contaminação por gás metano no subsolo. “Um desses indícios é a existência, no passado, de lixões na área”, observou Elton Gloeden. Para isso, o órgão espera da prefeitura um mapeamento dos locais à margem do Rio Tietê onde existiram depósitos de lixo orgânico.

Confira as áreas onde foi confirmada a contaminação por gás metano e as que estão sendo analisadas: