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Sargento da PM é preso por suspeita de tortura em São Paulo

Laudos médicos indicam que rapaz capturado pelo agente sofreu choques no pênis, no pescoço e na perna. Ele também apresentava machucados pelo corpo

Por Da Redação 21 out 2015, 09h38

Um policial militar foi preso na madrugada desta quarta-feira ao apresentar na delegacia um jovem suspeito de assaltar um comércio com uma arma de brinquedo. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, Afonso de Carvalho Oliveira Trudes disse em depoimento, prestado no 103º Departamento de Polícia (Itaquera/Cohab), que foi torturado pelo sargento Charles Otaga e outros dois policiais militares durante a prisão.

Segundo o jornal, laudos do Instituto Médico Legal indicam que Trudes foi agredido com choques no pênis, na bolsa escrotal, no pescoço e na perna. Ele também apresentava machucados na região da costela e várias lesões na parte esquerda da nádega e nas coxas. As lesões foram fotografadas.

Ao saberem da prisão do sargento, agentes da Polícia Militar de diversos batalhões se mobilizaram pelas redes sociais para irem à delegacia prestar apoio ao colega de profissão. PMs de folga disseram à Folha que Trudes não foi torturado. Segundo eles, o suspeito foi machucado pela bicicleta que ele usava na fuga, quando foi colocado com ela no carro da polícia.

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Nas mensagens trocadas entre os policiais, alguns militares perguntavam “até quando seremos humilhados”, e diziam “até esqueceram o ladrão nessa”. Mensagens de voz trocadas pelos PMs também criticavam o delegado Raphael Zazon, que prendeu o sargento por tortura. Eles diziam que o delegado “estava mostrando as garras”. Policiais civis que estavam de plantão contaram que os militares estavam ameaçando o delegado, dizendo saber onde ele, a namorada e familiares moram.

Zazon pediu apoio ao Grupo de Operações Especiais (GOE) para garantir a segurança do DP. Na madrugada, ele deixou a delegacia escoltado por cinco carros do GOE.

Depois de prestarem depoimento, o sargento foi encaminhado ao presídio Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo. O cabo e o soldado que estavam no momento da prisão e da tortura foram liberados.

Deputados – Os deputados estaduais Delegado Olim (PP) e o Coronel Paulo Telhada (PSDB), que representam policiais civis e militares também compareceram à delegacia. Olim defendeu a prisão do sargento. Segundo ele, os policiais torturaram o jovem, foram até a casa dele sem mandado e depois de quatro horas o levaram à delegacia com as escoriações. “Estou aqui com os laudos, levaram ele para uma quebrada, bateram e deram choque no pênis. Ele não se machucou sozinho carregando a bicicleta”, explicou o deputado.

O Coronel Telhada, por outro lado, defendeu o sargento Otaga e disse que a ação dele foi legítima. Ele também reclamou que o coronel do batalhão apresentou um relatório do GPS do carro dos policiais, em que fica registrado o caminho feito por eles. “As nossas viaturas têm GPS e o engraçado é que para ajudar nossos policias ele não funciona. Para atrapalhar a vida do policial o GPS serve”, disse Telhada.

(Da redação)

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