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São Paulo estuda restringir captação de água pela indústria

A ideia é trocar a captação direta de mananciais pelo reuso

Por Da Redação 31 jan 2015, 10h50

Reúso na indústria, em vez de captação direta de rios. Essa é uma das medidas estudadas pelo governo paulista para fazer frente à crise hídrica que ameaça deixar o Estado de São Paulo na seca nos próximos meses. Para tanto, a gestão Geraldo Alckmin deve rever as outorgas concedidas para que indústrias captem água diretamente de mananciais, como acaba de ser feito no Rio de Janeiro. “Fala­-se em um plano de dois anos para reduzir a dependência da indústria de mananciais e aumentar a utilização de água de reúso”, disse ao Estado de S.Paulo uma fonte do setor de saneamento, em reportagem publicada neste sábado pelo jornal.

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As outorgas são concedidas pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), do Estado, e renovadas a cada cinco anos, permitindo que as empresas captem água fora do sistema da Sabesp. A autarquia informou que, desde maio, estão suspensas as emissões de novas outorgas para perfuração de poços rasos na região das bacias do PCJ (Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) e Alto Tietê. No entanto, o DAEE ressaltou que as outorgas para captação em poços profundos (artesianos, ou semiartesianos) em geral “continuam sendo analisadas e emitidas regularmente”. Segundo o departamento, não há estudos concretos no sentido de rever essas outorgas, mas “todas as possibilidades estão sendo analisadas”.

Dados mais recentes do DAEE mostram que, em 2008, as indústrias da região metropolitana de São Paulo consumiam 37.400 litros de água por segundo. Atualmente, mais de 35.400 pontos de uso estão cadastrados no órgão, correspondentes a captações, lançamentos, obras hidráulicas e outros usos. Procurado, o governo desconversa, como de costume, dizendo que a possibilidade ainda não está sendo discutida. Mas, segundo o Estado apurou, o secretário paulista de Recursos Hídricos, Benedito Braga, “fez comentários nesse sentido” em reunião ocorrida na semana passada.

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“A prioridade é o abastecimento humano, depois o abastecimento de animais, depois agricultura, energia elétrica e outros fins”, disse o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), nesta sexta-­feira, 30, em coletiva de imprensa após reunião com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto.

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Já o ministro ­chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, disse que o governo federal discute medidas para normatizar o reúso de água por parte da indústria no sentido de evitar o desperdício de água, depois de participar da audiência com Dilma e Alckmin no Planalto. “Hoje, no mundo inteiro há tecnologias bastante sofisticadas de membranas e equipamentos de reutilização que ajudam a melhorar a oferta de água nos grandes centros urbanos. Não é uma tarefa qualquer fazer o abastecimento de água em uma região em São Paulo”, comentou Mercadante. O ministro ressaltou que ainda se estudam formas de reduzir o desperdício no setor agrícola.

Cantareira a 5,1% — O Sistema Cantareira chegou ao último dia de janeiro com apenas 5,1% de sua capacidade. Apesar de se manter estável pelo sexto dia consecutivo, o nível do reservatório está abaixo do verificado há exatamente um mês, em 31 de dezembro, quando detinha 7,2% de sua capacidade. A chuva sobre o Cantareira em janeiro acumulou 148,2 milímetros (mm), o equivalente a pouco mais da metade (54,6%) da média histórica no mês.

Ao todo, quatro dos seis reservatórios que abastecem a capital paulista e a região metropolitana tiveram queda no nível de água no mês de janeiro, afetados pelas temperaturas elevadas e pelo volume de chuvas abaixo da média. A queda em janeiro atingiu os sistemas Cantareira, Alto Tietê, Alto Cotia e Rio Claro. As exceções foram os sistemas Guarapiranga e o Rio Grande, cujas reservas cresceram neste mês. Os dados fazem parte do monitoramento realizado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

O Alto Tietê está com 10,8% de sua capacidade, mostrando aumento em relação a ontem, quando marcou 10,6%. No entanto, houve queda em comparação com o fim de dezembro, quando estava em 12,2%. A chuva sobre o Alto Tietê acumulou 103,8 mm, o equivalente a 41,3% de média histórica de janeiro. O Alto Cotia foi para 28,4%, patamar abaixo de ontem (28,5%) e de um mês atrás (31,5%). O Sistema Alto Cotia foi o que teve a maior escassez de chuvas em janeiro, ficando com apenas 34,4% da média histórica. Já no Sistema Rio Claro, a reserva atingiu 28,3%, nível inferior ao de ontem (25,6%) e de um mês atrás (33,0%). A chuva sobre o Sistema Rio Claro em janeiro alcançou 84,4% da média histórica.

O Sistema Guarapiranga, por sua vez, teve recuperação de sua reserva em janeiro, favorecido por chuvas acima da média. O Guarapiranga chegou ao fim de janeiro com 48,1% de sua capacidade. Houve queda frente o nível de ontem (48,2%), mas crescimento em comparação com um mês atrás (40,6%). A chuva em janeiro foi de 248,0 mm, ou 108,1% da média histórica.

​O reservatório do Sistema Rio Grande também aumentou em janeiro, chegando a 74,7% ante 72,1% há um mês. A chuva na região foi de 245,2 mm, um pouco abaixo da média histórica (97,4%).

(Com Estadão Conteúdo)

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