Roger Abdelmassih é condenado a 278 anos de prisão

Médico teria abusado de 39 mulheres em sua clínica de reprodução em SP

Por Carolina Freitas e Mirella D'Elia - 23 nov 2010, 15h54

O médico Roger Abdelmassih, de 66 anos, foi condenado nesta terça-feira a 278 anos de prisão por estupro, tentativa de estupro e atentado violento ao pudor. A decisão foi da juíza Kenarik Boujikian Felippe, da 16.ª Vara Criminal de São Paulo. A defesa, já avisou, vai recorrer.

A juíza considerou o médico culpado nos 56 casos de crime sexual apontados na denúncia do Ministério Público paulista. Foram 52 estupros e 4 tentativas contra 39 mulheres, pacientes de sua clínica especializada em reprodução assistida. De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), os crimes foram cometidos entre 1995 e 2008, nas dependências da clínica, localizada em um bairro nobre da capital paulista.

O advogado de Roger Abdelmassih, José Luís de Oliveira Lima, disse que vai entrar com um recurso no Tribunal de Justiça de São Paulo nesta quarta-feira. “Vamos recorrer amanhã. Fiquei surpreso com a decisão.”

Abdelmassih chegou a ficar preso por quatro meses no ano passado, mas foi solto em dezembro de 2009 por determinação do Supremo Tribunal Federal. A mesma decisão permite agora que ele recorra à condenação do TJ-SP em liberdade.

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O defensor do médico argumentou que a sentença “passou por cima de manifestas contradições em depoimentos de supostas vítimas e na ausência de materialidade dos crimes”. “Apesar da decisão desfavorável, temos confiança na Justiça.”

Na decisão de 194 páginas, a juíza Kenarik Felippe narra em detalhes o ocorrido com cada uma das 39 mulheres vítimas do médico. Ao longo do processo judicial foram colhidos os depoimentos de 250 testemunhas vindas de São Paulo, Minas Gerais, Paraná , Rio Grande do Norte, Piauí e Rio de Janeiro. O processo tem 37 volumes e 10.000 páginas.

As vítimas de Abdelmassih relataram à Justiça agressões sofridas na sala de consulta e de recuperação da clínica, especialmente após a coleta de óvulos, procedimento inicial para a reprodução assistida. Em muitos casos, as mulheres estavam saindo da sedação quando se viam envoltas pelo médico, que as beijava a boca, o pescoço e os seios, avançando, em mais de 50 casos, para relações sexuais forçadas.

As mulheres contaram ter escondido os episódios em um primeiro momento até mesmo de seus maridos, por vergonha ou medo que eles resolvessem fazer justiça com as próprias mãos. Elas se disseram intimidadas pela fama e o prestígio do médico. Muitas só decidiram denunciar os abusos após os primeiros casos serem divulgados pela imprensa.

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Entenda o caso – A investigação contra Abdelmassih começou em maio de 2008 e veio a público em janeiro de 2009, provocando uma onda de novas denúncias de mulheres contra o médico. De agosto a dezembro do ano passado, ele ficou preso preventivamente, mas foi solto por decisão do Supremo.

A clínica do médico era a mais conceituada em reprodução assistida do país. Abdelmassih foi o responsável pela inseminação artificial de filhos de famosos como Pelé, Tom Cavalcante, Gugu Liberato e Carlos Alberto de Nóbrega.

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