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Retrocesso na segurança: favelas com UPPs voltam a ter tiroteios e baleados

Fim de semana teve quatro feridos por tiros na Rocinha. Na recém-inaugurada UPP da favela Camarista Méier, um PM foi atingido no peito

Por Da Redação 9 dez 2013, 11h47

Com a credibilidade abalada por episódios de violência, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) enfrentam, desde a sexta-feira, uma onda de ataques. Quatro pessoas foram baleadas na Rocinha, entre a noite de sexta e a manhã de sábado, período em que foram ouvidos na favela rajadas de tiros e estrondos de disparos de fuzil. Dois dos feridos são moradores e, os demais, policiais militares. Na manhã desta segunda-feira, mais um PM foi ferido a bala, na recém-inaugurada UPP do morro Camarista Méier, na Zona Norte. O militar foi surpreendido por criminosos e atingido no peito por um disparo.

As unidades da PM em morros são o carro-chefe da política de segurança do governador Sérgio Cabral, e conseguiram fazer de favelas antes impenetráveis locais atualmente abertos à visitação, com pontos turísticos e eventos badalados – pelo menos nos morros menores e mais charmosos da Zona Sul. Uma série de crimes, no entanto, reacendeu nos moradores o temor de retorno do tráfico de drogas e, em alguns casos, a sensação de que a polícia instalada para um patrulhamento “de proximidade” em nada difere daquela que subia as ladeiras para descarregar suas armas.

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O caso de maior repercussão foi o desaparecimento, em julho, do pedreiro Amarildo de Souza. Onze policiais militares da UPP da Rocinha foram denunciados pelo crime, que, para o Ministério Público, teve requintes de crueldade, com tortura e ocultação do corpo do morador. Amarildo tornou-se uma espécie de mártir, um símbolo das manifestações de rua iniciadas em junho e que ainda têm algum tipo de repercussão no Rio – como neste segunda-feira, com um pequeno grupo de manifestantes à porta do Copacabana Palace, onde estão reunidos líderes de várias partes do mundo no evento capitaneado pelo ex-presidente Americano Bill Clinton.

Rocinha – As UPPs mostraram-se eficazes em favelas pequenas, onde a transformação de rotina implicou em uma valorização de imóveis do entorno e dentro das vielas. Em grandes morros, no entanto, o grau de complexidade do trabalho ainda é um desafio para as autoridades de segurança. A Rocinha, depois de uma grande operação que resultou na prisão do traficante Antônio Bonfim Lopes, o chefão “Nem”, voltou a ser um ponto de tensão permanente na cidade.

Um morador gravou o som do tiroteio da noite da última sexta-feira. Os disparos ocorrem durante alguns minutos, de forma ininterrupta, numa demonstração de poder dos bandidos. De acordo com relatos de moradores feitos nas redes sociais, os tiros ocorreram ao longo de toda a última semana. A Polícia Militar reforçou o policiamento na favela.

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