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Resgate chega a local onde deve estar maioria de vítimas

Por Bruno Boghossian, Fábio Grellet e Pedro Dantas

Rio – As vítimas do desabamento no centro do Rio tentaram fugir do edifício Liberdade pela escada segundos antes que ele desmoronasse – levando ao chão outros dois prédios, matando 13 pessoas e deixando 14 desaparecidos até o início da noite de hoje. O equipe que trabalha na remoção dos corpos chegou hoje, no início da tarde, ao ponto em que estavam pelo menos quatro pessoas que teriam tentado descer do 3.o andar depois de sentirem um tremor. Durante toda a tarde, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros passaram a concentrar as buscas no lado esquerdo do Liberdade, onde ficavam o hall de entrada, os elevadores e escadas.

“Esses últimos corpos encontrados estão próximos à escada e ao corredor. Por isso, imaginamos que eles tentaram sair. Começamos a imaginar que o prédio deu sinais de desabamento e houve um momento em que as pessoas tentaram sair dele”, afirmou o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões.

Quase 48 horas depois do desastre, aumentam as dificuldades das equipes de buscas, uma vez que ainda havia cerca de 20 toneladas de escombros no local do desabamento. O corpo de uma mulher chegou a ser retirado por uma escavadeira e destinado ao terreno em que é armazenado o entulho. Só depois ele foi identificado e levado para o Instituto Médico Legal.

O trabalho dos bombeiros também foi dificultado pela ameaça de desabamento de parte da estrutura, que havia ficado de pé. Foi necessário retirar grandes pedaços de concreto para permitir a circulação das equipes.

Apesar de haver espaços livres nessa região do edifício, o comandante do Corpo de Bombeiros descartou a possibilidade de encontrar pessoas com vida no local.

“Todos os corpos estavam muito machucados. Esse cenário mostra que houve um impacto muito forte da estrutura. Não retiramos nenhum corpo que não tivesse com algum tipo de trauma”, explicou o coronel Simões.

As equipes também desistiram de encontrar sobreviventes pois havia focos de incêndio sob os escombros, provocados por vazamentos de gás que ocorreram após o desmoronamento. Um dos corpos estava carbonizado quando foi encontrado pelos socorristas.

Até as 19 horas, haviam sido retirados dos escombros 13 corpos: cinco mulheres, quatro homens e quatro pessoas cujos sexos ainda não foram identificados. Segundo a prefeitura do Rio, parentes ainda procuram 14 pessoas. As equipes de buscas devem continuar seus trabalhos até a manhã de domingo.

Os indícios de que houve um tremor nos três edifícios que desabaram às 20h33 de quarta-feira foram reforçados pelo depoimento de Marcelo Antunes Moreira, que era zelador do edifício Colombo. Ele estava no 7.o andar quando notou que havia algum problema no prédio vizinho e tentou fugir pelas escadas, mas só conseguiu chegar ao 6.o andar antes do desmoronamento.

Em meio aos escombros, consciente, mas com a maior parte do corpo imobilizado, ele notou que um bombeiro caminhava sobre as pedras. Com a mão esquerda, a única que conseguia movimentar, tocou o coturno do bombeiro para chamar sua atenção. Marcelo foi salvo, com ferimentos superficiais no rosto e nos braços. Levado ao hospital, ele recebeu alta ontem.

Theatro Municipal

A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar os danos ao Theatro Municipal depois do desabamento dos prédios. Ontem, quatro peritos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e dois agentes da PF fizeram uma vistoria no local. Os danos foram considerados superficiais: algumas janelas parcialmente ficaram quebradas, pequenos pedaços de reboco caíram e foram detectados problemas no maquinário do palco, por causa da poeira. Os responsáveis pelo desabamento podem ser indiciados por crime contra o patrimônio da União.