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PSB tenta descolar Marina de citação de Eduardo Campos em depoimento sobre corrupção

Candidato a vice na chapa, Beto Albuquerque, é quem tem rebatido a acusação de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, contra o ex-governador de Pernambuco

Por Mariana Zylberkan - 7 set 2014, 18h19

Deflagrado o escândalo bilionário de corrupção na Petrobras, o PSB tem adotado a tática de descolar a candidata do partido à Presidência da República, Marina Silva, e, consequentemente, sua campanha meteórica, das acusações de que Eduardo Campos estaria envolvido no esquema. Conforme revelado por reportagem de VEJA, o nome do ex-governador de Pernambuco, cabeça de chapa do partido na corrida presidencial até sua morte repentina no último dia 13, foi citado por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Refino e Abastecimento da estatal, em depoimento integrante do acordo de delação premiada. O ex-diretor apontou uma série de políticos da base aliada do governo que receberia propina originária da estatal.

É o candidato a vice, Beto Albuquerque, quem tem rebatido as acusações. Marina passou para ele a palavra quando perguntada sobre a possibilidade de o episódio interferir em sua campanha, durante coletiva de imprensa realizada neste domingo no comitê do PSB em São Paulo. “Eu e Eduardo tivemos atitudes partidárias tomadas antes de ele morrer, então eu me sinto legitimado politicamente a correr atrás dessa verdade”, disse Albuquerque, após revelar que o partido já pediu acesso ao processo, mantido em sigilo.

Ele deu a entender também que a delação tem motivações eleitoreiras. “Esse rapaz que está preso e fez a delação premiada, premeditada ou encomendada havia convidado o Eduardo para ser sua testemunha de defesa, então tudo nos parece muito estranho.”

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Marina, por sua vez, tem citado bastante a Petrobras em seus discursos, mas sempre para se defender das acusações de que ela é contra o pré-sal, segundo a campanha de Dilma Rousseff (PT). “Sou caluniada e acusada de ser contra esse patrimônio do Brasil. Enquanto essa mentira é alardeada, a Petrobras é destruída pelo uso político, a apadrinhamento e a corrupção”, disse Marina no trecho do discurso comemorativo da Independência do Brasil redigido pelo partido e lido por ela na coletiva de imprensa.

Em relação à citação de Campos no depoimento de Costa, Marina citou o trecho da Bíblia “conheça a verdade e ela o libertará”. “A verdade jamais atrapalhará a campanha de quem está imbuído de debater o Brasil, de melhorar o funcionamento de nossas instituições”, disse a candidata, que completou: “de ter uma Petrobras que tem em sua direção quadros técnicos e não pessoas como as que temos hoje que estão inviabilizando uma empresa respeitada dentro e fora do país”. Ainda sobre o pré-sal, Marina fez questão de reafirmar que, se eleita, irá garantir a exploração do recurso e reverter os royalties em recursos para viabilizar projetos nas áreas de educação e saúde.

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Neste domingo, a candidata foi ao Parque da Independência, em São Paulo, para um “passeio” com o objetivo, segundo ela, de se aproximar da população. A imprensa e a militância ficaram de fora. A candidata do PSB também rebateu as críticas do ex-presidente Lula, que teria sugerido que ela não leu o próprio programa de governo. “Eu até esperava um pouco mais de criatividade do presidente Lula ao debate político. Ele está recorrendo a um acervo de desqualificações e preconceitos que antes eram feitos contra ele.”

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