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Protesto lembra 35.000 desaparecidos no Rio

Rio de Paz ocupou parte da praia de Copacabana para protestar contra o desaparecimento de Amarildo, pedreiro que sumiu na Rocinha depois de abordado por PMs

Por Da Redação - 31 jul 2013, 13h11

O grupo Rio de Paz organizou um protesto nesta quarta-feira na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, para lembrar os 35.000 desaparecidos no estado desde 2007 – o número considera dados do Instituto de Segurança Pública (ISP). Os ativistas estenderam na areia uma faixa com a pergunta “Onde está Amarildo?”, em referência ao pedreiro que sumiu na Rocinha no dia 14, depois de ser levado por policiais da Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) para averiguação. Nesta quarta, a Polícia Civil recolherá o material genético de um dos filhos de Amarildo para comparar com as manchas de sangue detectadas por peritos do Instituto Carlos Éboli no banco traseiro de um carro da UPP da Rocinha.

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O desaparecimento tem sido denunciado nas redes sociais, onde o perfil “Onde está Amarildo” ganhou milhares de seguidores no Facebook e no Twitter. O caso do operário também é constantemente lembrado nas manifestações do Rio, que pedem a saída do governador Sérgio Cabral.

“O caso de Amarildo é emblemático. Estivemos na Rocinha e percebemos que as pessoas estão com medo de falar sobre o ocorrido”, disse Antonio Carlos Costa, fundador do Rio de Paz. Segundo Costa, a família de Amarildo participaria do ato desta quarta-feira em Copacabana, mas a mulher do pedreiro ficou emocionalmente abalada depois de ter visto o corpo de uma mulher numa vala na Rocinha, na terça-feira. O corpo foi encontrado pela polícia, durante as buscas por Amarildo na favela.

Os desaparecidos são representados por dez manequins cobertos com tecido transparente na areia. Faixas vermelhas representam o sangue das vítimas, que muitas vezes são torturadas e mortas. Os manequins estão de máscaras, para, segundo o fundador do Rio de Paz, mostrar que os desaparecidos são considerados apenas números.

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“São 35.000 desaparecidos, além dos casos não registrados nas delegacias, que não sabemos se estão mortos”, disse Costa. “Eles podem ter sido enterrados em cemitérios clandestinos, queimados, entregues para animais, jogados no mar ou até mesmo podem ter tido seus corpos consumidos por ácido, um recurso que tem sido usado e não deixa vestígios”, alertou Costa.

Costa também chamou atenção para a violência policial no Rio, que causou mais de 5.000 mortes de 2007 a 2013, de acordo com dados do ISP. O protesto ficou na areia de Copacabana por cerca de três horas, até a realização de um enterro simbólico dos manequins para representar os desaparecidos que foram assassinados e ocultados em cemitérios clandestinos.

(Com Estadão Conteúdo e EFE)

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