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Presos em operação da PF contra lavagem são velhos conhecidos da Justiça

PF já apreendeu 5 milhões de reais, 25 veículos de luxo, joias, obras de arte e documentos de quadrilhas que movimentaram 10 bilhões de reais

Por Laryssa Borges 17 mar 2014, 20h35

A operação da Polícia Federal contra lavagem de dinheiro nesta segunda-feira desmontou quatro quadrilhas e prendeu grandes doleiros investigados no país, entre eles Alberto Youssef, Carlos Habib Chater e Enivaldo Quadrado. O grupo criminoso atuava em seis Estados – SP, PR, SC, MT, RJ e RS – e no Distrito Federal e movimentou mais de 10 bilhões de reais usando postos de gasolina e lavanderias de roupas, segundo as investigações.

Quadrado foi condenado no julgamento do mensalão, mas sua pena foi revertida em multa. Ex-sócio da corretora Bônus-Banval, acabou preso hoje na cidade de Assis, no interior de São Paulo.

Yousseff foi um dos principais personagens da CPI do Banestado, em 2005, quando afirmou em depoimento que pagava propina para os diretores do banco do Paraná para ter facilidades na remessa de dinheiro para o exterior por meio das extintas contas CC-5. Ele havia conseguido o benefício da delação premiada e, por isso, estava em liberdade. Nesta segunda, foi preso em São Luís (MA). A polícia recolheu documentos em propriedades de Youssef, incluindo o hotel Blue Tree Towers, em Londrina (PR). Em nota, a Blue Tree Hotels afirmou que “não possui vínculo com o objeto da investigação”.

Carlos Habib Chater é filho de outro doleiro investigado desde os anos 90 pelas autoridades policiais: Habib Salim El Chater. Os dois foram presos em uma operação policial em 1991 e autuados por crime de colarinho branco. Ficaram presos por apenas dois dias, pagaram fiança e foram liberados. Eles também já foram investigados por suspeitas de atuarem em um esquema de contrabando de pedras preciosas e uso de moeda falsa.

Outro alvo da PF era uma doleira que não teve o nome revelado, presa na última sexta-feira no Aeroporto de Guarulhos. Ela tentava embarcar para a Europa com 200.000 euros escondidos nas roupas íntimas.

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De acordo com a PF, 400 policiais foram envolvidos na operação, batizada Lava Jato. Nos últimos nove meses, a PF monitorou os passos de transportadores de dinheiro para chegar aos chefes das quadrilhas, embora os criminosos já atuassem no mercado de câmbio há cerca de dez anos em Brasília. Conforme revelou VEJA, a Polícia Federal já havia prendido em novembro do ano passado no aeroporto de Brasília um homem com 280.000 dólares e cerca de 14.000 reais escondidos em meias de futebol. A prisão era parte da Operação Lava Jato e cortou, pelo menos momentaneamente, um dos fluxos da movimentação ilegal de dinheiro. “A prisão [do ano passado] era de um transportador, de uma pessoa que trabalhava para um doleiro fazendo transporte físico de moedas tanto nacional quanto internacional”, explicou o coordenador da operação, Márcio Anselmo.

Esquema – Segundo as investigações, os criminosos fraudavam contratos com a administração pública e simulavam contratos de importação com empresas de fachada para justificar a movimentação dos recursos. Grandes obras de engenharia também estão envolvidas no esquema, embora a PF ainda esteja fazendo o levantamento das obras. Apenas um dos doleiros foi responsável pela remessa, de 2009 a 2013, de 250 milhões de dólares por meio de empresas de fachada.

Até agora, foram cumpridos 81 mandados de busca, 24 mandados de prisão e 15 mandados de condução coercitiva. O montante apreendido foi de 5 milhões de reais, 25 veículos de luxo, joias, obras de arte e documentos. A PF fez buscas em Porto Alegre na casa do jornalista e consultor de marketing Marcos Martinelli e do engenheiro e mestre em gestão empresarial Eduardo Antonini. Martinelli trabalhou em grandes emissoras de televisão brasileiras e depois virou especialista em campanhas eleitorais – ele conduziu a campanha José Fortunati (PDT) à prefeitura de Porto Alegre em 2012. Antonini foi presidente da Grêmio Empreendimentos conselheiro do time de futebol gaúcho.

Fiscalização – De acordo com a PF, quatro organizações criminosas paralelas atuavam para enviar dinheiro para o exterior aproveitando falhas na fiscalização dos órgãos de controle. Elas se utilizavam de operações simuladas de importação e exportação, em especial com empresas de fachada na China e em Hong Kong, para lavar dinheiro de crimes como tráfico internacional de drogas e desvio de recursos públicos. A Polícia Federal não descarta a possibilidade de políticos estarem envolvidos com o esquema, embora o foco da primeira fase da operação estivesse voltado para a atuação dos doleiros.

“O objetivo da operação era cortar o fluxo financeiro realizado pelos doleiros. São valores de origem ilícita, seja de crimes como tráfico de drogas, corrupção de agentes públicos, extração ilegal de diamantes, comércio ilegal desses diamantes, evasão de divisas e lavagem de dinheiro”, informou o delegado regional de Combate ao Crime Organizado, Igor de Paula.

(Com Estadão Conteúdo)

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