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Presidente da OAB cobra punição para a Chevron

Por Da Redação - 21 nov 2011, 15h52

Por Evandro Fadel, correspondente

Curitiba (AE) – O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante Júnior, cobrou hoje, em Curitiba, uma “punição rigorosa” para a Chevron, em razão do vazamento de óleo no Campo de Frade, na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. “É uma questão seriíssima. O governo e o Judiciário brasileiro, a partir de uma provocação do Ministério Público, precisa penalizar a Chevron de uma forma muito forte”, reforçou.

Cavalcante Jr. fez a abertura da 21ª Conferência Nacional dos Advogados que, entre outros temas, discute o meio ambiente. Ele destacou que o Brasil tem várias leis e que precisam ser aplicadas para evitar desastres ambientais. “É necessário que haja eficiência, e isso passa pelo posicionamento em tempo célere do Poder Judiciário”, comentou. Em relação às multas previstas para catástrofes ambientais, o presidente da OAB propôs uma discussão visando a um aumento que possa levar as empresas a terem mais responsabilidade.

“É necessário que neste momento empresas como a Chevron sejam punidas na parte onde mais vão sentir, que é nos seus recursos, nos seus orçamentos”, afirmou. “O governo brasileiro tem a grande oportunidade, a partir de uma demanda judicial, ancorada pelo Ministério público, de dar uma resposta para a sociedade.” O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, também presente ao evento da OAB, disse que aguarda informações para atuar. “É assunto absolutamente prioritário da Procuradoria da República no Rio de Janeiro”, acentuou.

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O presidente da OAB reforçou que o episódio do vazamento no Campo do Frade “acende uma luz amarela” e exige uma “presença mais efetiva” do governo na fiscalização. “É muito bom ter poços, temos aí o pré-sal, mas se não tivermos o cuidado técnico necessário certamente desastres ecológicos como esse vão continuar acontecendo e isso é muito ruim, pois pode colocar em cheque, inclusive, o próprio pré-sal”, afirmou. “Por isso é necessário que o governo tome as rédeas da situação para que esse evento não se repita e haja uma punição rigorosa.”

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, disse que o vazamento no Rio de Janeiro é “algo preocupante”. “Não temos um planejamento para fazer frente a um desastre desses”, acentuou. “Há de se buscar também a responsabilidade da empresa que estaria explorando óleo no local.” Segundo ele, é necessário, ainda, um aperfeiçoamento na legislação, que possa tornar mais rigorosas as penas em desastres ambientais. “Talvez seja hora de os nossos representantes, deputados federais e senadores, pensarem no assunto”, propôs. “Tem em discussão, e eu sou o relator de uma ação no Supremo, em relação ao Código Florestal. É ótima oportunidade para adentrar-se a esse tema e se colar à exploração, que precisa ter uma segurança maior.”

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