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Prefeito do Rio cancela contratos com cooperativas de vans

Decreto reconhece apenas motoristas e revoga licitações com grupos sob suspeita de ligação com milícias, policiais e fiscais corruptos

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, decidiu cancelar todos os contratos com cooperativas de vans que atuam na capital fluminense. Em decreto publicado nesta terça-feira, a prefeitura declara nulos os contratos, mantendo, no entanto, os motoristas pré-cadastrados como os operadores das linhas.

A medida é mais uma tentativa de ordenar o transporte alternativo – uma missão difícil, que envolve tanto ações de ordenamento, burocracia e repressão policial. Não falta, aqui, repressão também sobre o desvio policial, dada a tradição de corrupção que envolve os grupos que controlam as vans.

Paes reconhece, com a medida, que as cooperativas acabaram desvirtuando a intenção do município de garantir qualidade ao transporte público e condições dignas para os motoristas e operadores diretos das vans. O transporte alternativo no Rio de Janeiro sempre esteve associado a problemas com corrupção, exploração por máfias que controlam as frotas e até assassinatos na disputa por poder entre grupos rivais.

O decreto publicado nesta terça-feira é uma reação a uma denúncia publicada pelo Fantástico, da TV Globo, na noite de domingo. O programa mostrou que as cooperativas estão submetidas, muitas vezes, ao poder de grupos criminosos, com participação de milicianos e traficantes. Tudo, claro, com o aval de policiais militares e fiscais corruptos. Um trecho do decreto alega que houve um “desvirtuamento inadmissível por parte das permissionárias”.