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Polícia cerca manifestantes e blinda Avenida Paulista

Ação da Polícia Militar visa impedir vandalismo na região da Paulista após confronto com manifestantes na Rua da Consolação; 68 foram detidos

Por Da Redação 13 jun 2013, 20h23

A Polícia Militar montou um novo cordão de isolamento, com apoio da Cavalaria e da Tropa de Choque, para impedir que os manifestantes que reclamam do aumento das tarifas de transporte em São Paulo cheguem à Avenida Paulista. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, 68 pessoas foram detidas.

Por volta das 19h20, um grupo entrou em confronto com a PM pela quarta vez em uma semana. O grupo desrespeitou o roteiro combinado com a PM, que proibia justamente a “invasão” da Avenida Paulista, que possui sete hospitais, acesso a diversas estações de metrô, além de shoppings e estabelecimentos comerciais.

A exemplo dos atos anteriores, a manifestação tornou-se dispersa e violenta após as duas primeiras horas, deixando um rastro de depredação e vandalismo no percurso e degenerando em choque com a polícia. Por volta das 19h20, a PM teve de usar bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha para conter um grupo que lançou rojões e pedras contra policiais no cruzamento na Rua da Consolação. Na região central, os arruaceiros montaram barricadas com sacos de lixo incendiados.

“Fizemos um acordo com as lideranças para eles ficarem na Praça Roosevelt, mas eles não estão cumprindo”, disse o major da PM Lídio Gomes Costa.

Mais cedo, a PM montou cordões de isolamento e efetou revista nos grupos de manifestantes. Os detidos portavam pedras, gasolina e coquetel molotov. Eles foram encaminhados para o 78º DP dos Jardins.

Com medo de novas cenas de vandalismo, comerciantes da região fecharam as portas mais cedo nesta quinta. Segundo a PM, cerca de 5.000 pessoas participam dos atos.

Manhã caótica – A maior cidade do país viveu um dia de trânsito caótico desde o início da manhã, com linhas de trens paralisadas em função da greve de funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), a liberação do rodízio municipal de veículos e o clima de tensão à espera dos protestos, que têm deixado um rastro de vandalismo e depredações pelas ruas.

Com quatro linhas de trens da CPTM fora de circulação, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) suspendeu o rodízio de carros e o trânsito registrou índices de congestionamentos acima da média.

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Passe Livre – Os três atos organizados pelo Movimento Passe Livre, formado por radicais ligados a movimentos e partidos de esquerda, terminaram em confronto com a polícia e deixaram um saldo de destruição de ônibus, vidraças e estações de metrô apedrejadas e muros pichados.

Diante do descontrole das manifestações, que degeneraram em balbúrdia e tumultuaram a rotina do paulistano, o governo de São Paulo prometeu ser mais duro. Nesta quinta, a Tropa de Choque da Polícia Militar reforça a vigilância, mas ainda não foi acionada. Na última terça, um policial foi atacado após tentar conter um pichador e por pouco não foi linchado. A explicação para o vandalismo está na natureza do movimento, cujo discurso é raivoso e beligerante. A maioria dos manifestantes flagrados em cenas de depredação e confronto com a polícia andam encapuzados. Dos dezenove arruaceiros detidos na última terça, só três se identificaram como estudantes – treze continuam presos.

O Movimento Passe Livre é formado, em sua maioria, por militantes de partidos de extrema esquerda, como o PSOL, PSTU, PCO, PCR, e de organizações como a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e União da Juventude Socialista, ligada ao PCdoB. Também participam militantes de grupos LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) e militantes pró-aborto. As convocações são feitas em faculdades e principalmente pela internet. Esses organizadores, no entanto, têm insistido que as marchas são feitas para incluir diversos grupos e opiniões – e apontam a pulverização da multidão como algo positivo.

Na prática, a falta de liderança serve para impedir que responsáveis sejam apontados. “É difícil negociar com um grupo que não tem unidade, que não tem liderança. São vários subgrupos dentro de um grande grupo. Enquanto eu falava com um individuo que se apresentava como líder, um outro grupo atacava minha tropa. (…) Que movimento é esse em que ninguém tem controle?”, disse o tenente-coronel Marcelo Pignatari, responsável pela ação da PM na terça-feira.

Até o momento, o prejuízo registrado somente pelo Metrô atinge 109 000 reais. No total, 87 ônibus foram danificados e 137 linhas tiveram a circulação prejudicada.

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(Com Estadão Conteúdo)

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