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PMDB de Minas pressiona ministro da Aviação Civil a apoiar impeachment

Ala mineira da sigla era, até pouco tempo, aliada ao Planalto. Agora, corre para fechar a totalidade dos votos contra a presidente

Até pouco tempo atrás aliada do governo da presidente Dilma Rousseff, a bancada mineira do PMDB na Câmara começa a mudar de lado e agora trabalha para conseguir fechar a totalidade a favor do impeachment da petista na votação do próximo domingo. O grupo é formado por sete deputados – entre eles o ministro da Aviação Civil, Mauro Lopes, apontado como um dos principais focos de resistência a apoiar a destituição de Dilma.

Vice-líder do PMDB na Câmara, o deputado Leonardo Quintão afirmou que a bancada vai se reunir nesta tarde para mandar um recado a Lopes: “É inadmissível um ministro de Minas Gerais, que é nosso amigo e permanece no cargo, não votar favorável ao impeachment. O Mauro tem o nosso respeito, mas ele não pode fazer isso com o PMDB de Minas e nem com o Michel Temer, que é amigo pessoal dele”.

Lopes é Secretário-geral do PMDB e assumiu a Secretaria de Aviação Civil (SAC) há apenas um mês. Ele foi alçado ao cargo como uma retribuição do governo à bancada mineira da legenda, que, em fevereiro, atendeu o apelo do Planalto e apoiou a recondução de Leonardo Picciani (RJ) à liderança da bancada. Picciani é a principal esperança do governo para que a maior legenda da Casa não feche questão na campanha pelo impeachment de Dilma.

O ministro está licenciado do cargo. Caso não assuma a cadeira no domingo, seu suplente, que é do PT, votará favorável a salvar o mandato de Dilma. Apesar da pressão interna, Picciani teve reunião com o vice-presidente Michel Temer na noite desta terça-feira e afirmou a ele que ministros – além de Mauro Lopes, Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) e Marcelo Castro (Saúde) – devem, por coerência, apoiar o governo em plenário. O deputado fluminense também deve ajudar Dilma.

Na manhã desta quarta-feira, o deputado Newton Cardoso Júnior, aliado de Picciani e um dos que mantinham indecisos até agora, anunciou apoio ao impeachment da presidente da República. Segundo ele, a decisão foi tomada por causa de uma “necessidade do Brasil” e é uma posição para “registrar o sonho dos brasileiros”. Ele afirma que agora vai trabalhar para que os sete deputados sigam o mesmo caminho.