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PM vai cercar manifestantes em ato contra tarifa

Preocupados com vândalos, PM montará cordões de isolamento para acompanhar passeata marcada para sexta-feira no Centro de São Paulo

O comando da Polícia Militar anunciou nesta quarta-feira como fará o monitoramento da manifestação agendada para esta sexta-feira pelo Movimento Passe Livre contra o reajuste da tarifa de metrô e ônibus em São Paulo. Com o temor de que o ato degenere em vandalismo, a corporação mobilizará um efetivo de 800 policiais e cinquenta viaturas para acompanhar os manifestantes, que devem se aglomerar em frente ao Theatro Municipal, no Centro da capital paulista. A principal preocupação da PM é com a presença de baderneiros mascarados, os black blocs, responsáveis pela depredação de patrimônio público e privado nos protestos de junho de 2013.

O major Larry de Almeida Saraiva, responsável pela operação, afirmou que os policiais formarão dois cordões de isolamento em volta dos manifestantes e farão revistas em quem “demonstrar atitudes suspeitas”. “A principal preocupação são os black blocs. Nós vamos usar a técnica de fazer o acompanhamento aproximado em duas colunas, justamente para garantir a segurança das pessoas que caminham ao lado e não estão participando do ato e para evitar qualquer dano a veículos e propriedades”, disse. O uso de bala de borracha está autorizado “em último caso”.

A expectativa de Saraiva é que 3.000 pessoas compareçam ao ato. Na página do evento no Facebook, há mais de 40.000 pessoas confirmadas. O Movimento Passe Livre, que tem células em outros Estados, também convocou protestos para o mesmo dia em outras duas capitais – Rio de Janeiro e Belo Horizonte. O grupo tenta reeditar a série de protestos que tomou o país em 2013. Na época, os atos começaram a ganhar força após a Polícia Militar recrudescer ações de contenção à baderna promovida por mascarados.

O major também também disse que desde segunda-feira tenta marcar, sem sucesso, uma reunião com o movimento para definir o percurso da passeata. Segundo ele, o grupo foi avisado sobre o encontro desta quarta-feira entre agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), guardas municipais e a PM para organizar a segurança do protesto, mas eles não compareceram. O integrante do MPL Marcelo Hotimsky reclamou que a PM não enviou ofício para agendar a reunião. “A PM deixou um recado no nosso site. Não foi um posicionamento oficial nem uma petição, escreveram uma mensagem na área de contatos do nosso site”.

Com a intenção de evitar que a manifestação tome a dimensão dos protestos de junho, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciaram a tarifa zero para estudantes da rede pública de ensino. Nesta terça-feira, entrou em vigor a elevação no preço da passagem de ônibus e metrô, que passou de 3 reais para 3,50 reais.

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