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PGR denuncia dono da UTC por corrupção e lavagem

Esta é a primeira vez que um empreiteiro é denunciado na Lava Jato pela Procuradoria-geral da República ao Supremo Tribunal Federal

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou nesta sexta-feira o empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Esta é a primeira vez que um empreiteiro é denunciado na Lava Jato ao Supremo Tribunal Federal. Nos demais casos envolvendo executivos das construtoras, os processos ficaram a cargo do juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal da Lava Jato. Contudo, neste caso, Janot entendeu que, “apesar de não ser titular de foro por prerrogativa de função, Ricardo Ribeiro Pessoa praticou condutas estreita e essencialmente vinculadas aos parlamentares em referência, com tratativas diretas em inúmeras vezes com ambos, circunstância que impõe o necessário processamento conjunto”. Os parlamentares em questão são o deputado Arthur Lira (PP-AL), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, e seu pai, o senador Benedito Lira (PP-AL), denunciados nesta sexta-feira por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Chefe do “clube do bilhão”, Pessoa firmou acordo de delação premiada com a PGR.

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No pedido encaminhado ao Supremo, a Procuradoria defende que Arthur e Benedito devolvam R$ 7,8 milhões aos cofres públicos. Desse total, R$ 2,6 milhões são referentes à devolução dos valores desviados e R$ 5,2 milhões são referentes à reparação dos danos causados ao Erário devido à participação no esquema de corrupção da Petrobras. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, diz que Benedito e Arthur “auferiram vantagens indevidas de praticamente todas as formas observadas no esquema de corrupção e lavagem de dinheiro relacionado à Petrobras”. Os parlamentares do PP foram citados por três delatores da Lava Jato: o doleiro Alberto Youssef, o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa e o empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC. De acordo com Youssef, Arthur Lira teve uma dívida de R$ 200 mil paga pelo esquema. A denúncia ainda permanece em sigilo por conter trechos da delação de Ricardo Pessoa, que ainda permanece sob sigilo no Supremo.

A Procuradoria-Geral da República também denunciou nesta sexta-feira o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE), acusado de falsificar informações na prestação de contas das eleições de 2014. Gomes é investigado no mesmo processo do qual Renan Calheiros é alvo. No entanto, as investigações do presidente do Senado foram prorrogadas nesta sexta-feira por mais 60 dias, por decisão do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Tribunal.

Fila – A PGR já denunciou ao Supremo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) e a ex-deputada federal e prefeita de Rio Bonito Solange de Almeida (PMDB-RJ). Além desses, foram denunciados o ex-ministro de Collor Pedro Paulo Leoni, além de dois assessores do senador e ex-presidente Cleverton Melo da Costa e Fernando Antônio da Silva Tiago; e Luis Pereira Duarte de Amorim, da TV Gazeta de AL, que também é ligado a Collor.

(Com Estadão Conteúdo)