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Personagens da Rede de Escândalo fracassam na eleição

Dos nove candidatos com perfil na ferramenta, apenas um avançou no pleito: Carlos Alberto Grana, que disputa o segundo turno da eleição em Santo André

Por Da Redação - 8 out 2012, 15h24

Os personagens da Rede de Escândalos que concorreram às eleições 2012 não têm o que comemorar. Com exceção do petista Carlos Alberto Grana, que disputa o segundo turno da eleição em Santo André, na Grande São Paulo, nenhum dos demais nomes listados na ferramenta do site de VEJA avançou no pleito realizado neste domingo em todo o Brasil.

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Carlos Alberto Grana, deputado estadual, integrou o grupo que, durante a campanha eleitoral de 2002, montou um QG nos Jardins, em São Paulo, com a missão de desencavar denúncias e montar dossiês contra adversários do então candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva. Integrado por antigos amigos de Lula e sindicalistas da CUT, o chamado bunker petista foi revelado por VEJA em 2003. Então secretário-geral da CUT, Grana encarregou-se da logística do escritório e era o responsável por providenciar carros, celulares, passagens e dinheiro. Disputa o segundo turno da eleição na cidade do ABC Paulista com Dr. Aidan Ravin, do PTB. Na primeira etapa, Grana obteve 155.606 votos – e encerrou a contagem em primeiro lugar.

Já em São Paulo, Paulinho da Força, do PDT, amargou um sétimo lugar na corrida pela prefeitura, com 38.750 votos – 0,63% do total. Na Rede de Escândalos, Paulinho é personagem central do caso que envolve a Operação Santa Teresa, da Polícia Federal. Investigação de 2008 da PF revelou que Paulinho participou do esquema de desvio de recursos do BNDES que abasteceu os cofres clandestinos da Força Sindical e do PDT. O caso custou-lhe a presidência do partido – e o tornou alvo de inquérito no Supremo. No mesmo ano, apesar do parecer do relator recomendando a cassação do mandato, dez dos catorze parlamentares que integram a Corregedoria da Câmara não encontraram nada que desabonasse a conduta de Paulinho.

O senador Humberto Costa, do PT, ocupou apenas o terceiro lugar na contagem de votos da eleição municipal em Recife, vencida no primeiro turno por Geraldo Julio, do PSB. Implicado do escândalo dos sanguessugas, o ex-ministro da Saúde obteve apenas 154.460 votos. Vale esclarecer que a CPI que investigou o esquema à época não citou Costa em seu relatório final – e o Ministério Público também não ofereceu denúncia contra ele. Outro político listado no caso, Cabo Júlio, disputou a reeleição à Câmara Municipal de Belo Horizonte – e não se elegeu. Júlio é acusado de receber 190 000 reais do esquema dos sanguessugas e responde a processo criminal na Justiça Federal do Mato Grosso.

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Outros que tentaram, sem sucesso, uma vaga no legislativo municipal são Orlando Silva, do PCdoB – defenestrado do comando do Ministério do Esporte na esteira do escândalo de corrupção revelado por VEJA em 2011 -; Vicente Viscome, que passou seis anos na prisão por envolvimento com a Máfia dos Fiscais; Chicão Brígido, acusado de vender seu voto em favor da emenda constitucional que autorizava a reeleição, em 1997; Hamilton Lacerda, envolvido no escândalo dos aloprados, e Marcelo Sereno, personagem do primeiro grande escândalo de corrupção do governo Lula: o caso Waldomiro Diniz.

Agarrados às desculpas mais esfarrapadas, muitos personagens de escândalos de corrupção contam com a falta de memória do eleitor para se manterem ativos na política nacional. Daí a importância de revisitar, um a um, os casos que indignaram o país. O compromisso da Rede de Escândalos não é apenas o de revisitar o passado, ressaltando as lições que o país aprendeu (ou desperdiçou) em cada episódio. É também o de manter o leitor informado sobre o desenrolar de investigações e julgamentos – e sobre o destino daqueles que em algum momento, ou repetidamente, atentaram contra o bem público.

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Reprodução de infográfico
Reprodução de infográfico VEJA
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