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Paraíso perdido: fogo recorde no Pantanal e desmatamento na Amazônia

A ação humana deixou seu rastro de destruição no país em 2020

Por Sabrina Brito Atualizado em 24 dez 2020, 08h52 - Publicado em 24 dez 2020, 06h00

As cenas correram o mundo: jacarés carbonizados, onças-pintadas feridas, primatas em pânico à procura de água. Lar de aproximadamente 1 200 espécies de vertebrados e um dos símbolos da diversidade ambiental brasileira, o Pantanal teve parte dele transformada em cinzas em 2020. De janeiro a outubro, os incêndios destruíram 4,1 milhões de hectares, de acordo com estimativas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O número espantoso corresponde a 28% de toda a área pantaneira e 32 vezes a cidade do Rio de Janeiro. Os focos de calor, que sinalizam os incêndios devastadores, quebraram recordes. Até novembro, foram 21 000, mais do que o dobro do dado observado em 2019. Não se tem notícia de uma tragédia dessas proporções na região. Desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou a fazer esse tipo de levantamento, em 1998, jamais houve algo parecido.

Uma parcela dos incêndios tem causas naturais e é até esperada na região. A alta incidência de raios e o surgimento de fogos subterrâneos, comuns no Pantanal, também tiveram sua dose de culpa. Em anos de secas extremas, como 2020, forma-se o cenário perfeito para a propagação do fogo, como ocorre na Califórnia (leia na pág. 60). Mas as razões ligadas aos desígnios da natureza não foram as únicas responsáveis pela grande tragédia. A ação humana deixou seu rastro de destruição no Pantanal. Em setembro, a Polícia Federal iniciou uma operação, ainda inconclusiva, para apurar as origens das chamas. Segundo relatórios preliminares, um grupo de pelo menos cinco fazendeiros foi responsável por espalhar alguns incêndios.

Os homens e suas motivações abomináveis, como o aumento irregular da área para pastagens e plantios agrícolas, também estão por trás do desmatamento da Amazônia. Assim como no Pantanal, o ano de 2020 deixará lembranças amargas para a floresta tropical. A derrubada de árvores cresceu 9,5% de agosto de 2019 a julho de 2020. Os mais de 1 000 quilômetros quadrados destruídos formam a maior área devastada da última década, de acordo com registros do Inpe. O Pantanal em chamas e a Amazônia devastada escandalizaram o mundo neste ano. O Brasil precisa agir. Seu inestimável patrimônio ambiental é uma das razões que o diferencia do resto do planeta.

Publicado em VEJA de 30 de dezembro de 2020, edição nº 2719

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