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Para mãe de vítima, morte do maníco de Luziânia foi ‘queima de arquivo’

As mães das vítimas do pedreiro Adimar Jesus da Silva, que matou seis jovens em Luziânia (GO) em janeiro deste ano, receberam com indignação a notícia da morte do maníaco. Para a mãe de um dos jovens assassinados, a morte pode ser considerada uma “queima de arquivo”.

“Foi como uma queima de arquivo. Como pode continuar a investigação se ele não existe mais?”, disse em entrevista a TV Globo Aldenira Alves de Souza, mãe de Diego, assassinado por Adimar.

Réu confesso do assassinato de seis jovens em Luziânia (GO) em janeiro deste ano, Adimar foi encontrado morto neste domingo em uma cela da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denard) em Goiânia. O Ministério Público de Goiás vai investigar as circunstâncias da morte do maníaco.

Adimar foi encontrado por volta das 13h com um lençol amarrado ao pescoço, o que indicaria suicídio, segundo informações da delegacia. Uma perícia técnica começou a ser feita às 14h30 no local. Segundo a Secretaria de Segurança, na tarde de sábado, detentos ouviram quando o pedreiro rasgou o colchão. “Foi feita uma trança com o tecido que reveste colchão. Quem fez isso tinha muita paciência”, disse a perita criminal Iracilda Coutinho.

Em 2005, Adimar foi condenado a 10 anos de prisão por atentado violento ao pudor, mas recebeu, em dezembro, o benefício da prisão domiciliar. Preso novamente no dia 10 de abril, o pedreiro confessou o assassinato dos garotos – todos entre 13 e 19 anos – e ajudou a polícia a resgatar os corpos. Em agosto, antes de ser solto por já ter cumprido um terço da pena, laudo psiquiátrico feito em Adimar classificava o pedreiro como um “psicopata perigoso” que deveria ser “isolado”.

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Isso tudo é intolerável. O suicida mais famoso da história da humanidade é símbolo da traição e se enforcou: Judas. Não conseguiu conviver com a memória do seu ato. Todos vimos Adimar na televisão. Contava como matou os rapazes como quem diz: “O dia está bonito”. Psicopatas não sentem culpa, aquela que corroeu Judas, e, perguntem aos especialistas, não são tendentes ao suicídio. Não estou acusando, sugerindo ou fazendo ilações. Estou informado um dado da realidade.

Muitos podem até dizer: “Que se dane! Morreu o que não prestava!” Seria uma aposta na barbárie de que falo. Se um estado não garante a integridade das pessoas que estão sob a sua guarda – bandidos que sejam -, estamos diante de um indício muito sério de que os direitos dos que estão fora da cadeia também estão sendo desrespeitados. E acho que isso dispensa provas, não é mesmo?