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Papa quer convencer políticos do ‘capital social’ da família

Por Por Jean-Louis De La Vaissiere - 2 jun 2012, 14h02

O papa Bento XVI, cercado em Milão por milhares de fiéis de 154 países, convocou os poderes públicos a proteger e ajudar a família, que é um imenso “capital social”, em nome da coesão social.

Não é por acaso que o Papa, que ressaltou a importância da família tradicional, pediu cooperação na maior metrópole italiana aos católicos, influentes na cidade, e que defendem uma “laicidade positiva”.

Em Milão coexistem todas as formas de família, e a cidade é considerada um laboratório da liberdade de costumes.

“A Milão positivamente laica e a da fé são chamadas a cooperar pelo bem comum”, disse Bento XVI diante do prefeito da esquerda radical, Giuliano Pisapia, favorável ao casamento gay.

Ele reconheceu diante do Papa que a família é o “bloco de base” da sociedade e prometeu uma cooperação com o poderoso cardeal de Milão e amigo do Papa, Angelo Scola.

O tom do Papa não foi agressivo, embora a Igreja se sinta pouco ouvida a esse respeito pelas autoridades, quando são adotadas novas leis sobre o divórcio, o casamento homossexual, ou de limitação dos direitos a uma educação católica.

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Segundo a Igreja católica, a família tradicional estável formada por marido, esposa e filhos não é uma herança católica, mas de toda a Humanidade, e corresponde à lei natural.

Para o sociólogo católico Pierpaolo Donati, os filhos de famílias numerosas seriam “mais felizes” em média no mundo adulto, e a família é um “lugar de humanização da sociedade”.

Para os especialistas da Igreja, a família é “capital social”, enquanto educa, aprende a administrar os conflitos, a compartilhar e a reduzir o individualismo.

A família cria mais laços com o exterior à medida que tem mais membros, enquanto atualmente a sociedade está se atomizando.

Também é um “amortizador social”, já que os jovens ajudam os velhos e os velhos ajudam os jovens, como é o caso na Itália com a crise atual: muitos dos gastos que seriam assumidos pelo Estado são repassados para a família.

“São o Estado e o mercado os que destroem a família e criam dificuldades para a fundação de novas famílias”, disse recentemente Donati perante a imprensa romana.

No banco dos réus figuram, em particular, os sistemas fiscais, que não reduzem suficientemente os impostos às famílias numerosas, principalmente na Itália, assim como os custos de aluguéis e os sistemas sociais, que fazem com que a educação se torne inacessível.

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