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Pai de Bernardo precisaria dividir herança com ele

Reportagem de VEJA desta semana revela que o médico acusado de participar da morte do filho estava prestes a ter de dividir com ele a herança da mulher morta

Por Isabel Marchezan 26 abr 2014, 09h14

O casal Leandro e Graciele Boldrini corre o risco de perder a guarda da filha de 1 ano. Presos na cidade gaúcha de Três Passos, eles são acusados pela morte de Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos, filho do primeiro casamento de Leandro. A solicitação para a retirada da guarda partiu da promotora Dinamárcia Maciel de Oliveira. Ela é a mesma que recebeu Bernardo quando ele procurou sozinho a Justiça pedindo para ser adotado por outra família, já que seu pai não lhe dava atenção e sua madrasta o maltratava.

A promotora também solicitou o bloqueio dos bens de Boldrini. Médico-cirurgião, ele é o herdeiro legítimo do filho morto e, por consequência, da herança deixada pela mãe dele, Odilaine Uglione, morta em 2010 num caso de aparente suicídio. Dinamárcia argumenta que, com a medida, ela pretende evitar que Boldrini use parte dos bens que seriam de Bernardo para, por exemplo, custear a própria defesa. Caso se prove sua culpa na morte do filho, ele perde o direito à herança.

O inventário de Odilaine ainda não foi concluído. Boldrini só pediu sua abertura no dia 30 de janeiro. Quando era casado com Odilaine, ele vendeu um imóvel sem formalizar sua transferência. Recentemente, o comprador passou a pressionar o médico para regularizar a situação, o que só podia ocorrer com a abertura do inventário e uma autorização da Justiça, concedida em 24 de fevereiro. A abertura do inventário implicaria a repartição dos bens de Odilaine entre Boldrini e o filho, incluindo a casa em que moravam com Graciele. O menino só poderia reivindicar a herança para si ao fazer 18 anos. Até lá, quem administraria o patrimônio seria o detentor da guarda da criança, Boldrini. O médico, no entanto, correu o risco de perder esse status no dia 31 de janeiro, quando a promotora Dinamárcia, depois de ser procurada por Bernardo, solicitou a transferência de sua guarda para a avó materna. O pedido foi negado pelo juiz Fernando Vieira dos Santos em 11 de fevereiro. Atendendo a uma solicitação de Boldrini, ele concedeu três meses para que o médico melhorasse sua relação com o filho. Bernardo foi morto um mês antes de o prazo expirar.

Laudo pericial divulgado na sex­ta-feira não apontou sinais de terra na traqueia nem nos pulmões do menino, o que afastou a possibilidade de ele ter sido enterrado vivo. Investigadores chegaram a cogitar a hipótese depois que a assistente social Edelvânia Wirganovicz, que confessou ter participado do crime, revelou que a madrasta de Bernardo não checou sua pulsação antes de enterrá-lo. Graciele está isolada das demais presas em uma cela de 12 metros quadrados. Seu advogado, Vanderlei Pompeo de Mattos, contou que ela se alegrou ao ser informada de que a filha está com a irmã na cidade vizinha de Santo Augusto, dado que o lugar fica “pertinho” dali e que ela poderá visitar a criança “quando sair da cadeia”.

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