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Paes confirma favoritismo sobre Crivella e é eleito prefeito do Rio

Em seu pronunciamento, candidato eleito pelo DEM anunciou medidas para conter a pandemia e disse que buscará parceria com governo federal

Por Sofia Cerqueira, Cássio Bruno Atualizado em 29 nov 2020, 20h30 - Publicado em 29 nov 2020, 18h58

Favorito nas pesquisas desde o início da campanha, o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) foi eleito neste domingo para o seu terceiro mandato no Rio de Janeiro. No comando da administração municipal da capital entre 2009 e 2016, Paes recebeu 1 629 319 votos (64,07%) e seu adversário, o atual prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), obteve 913 700 votos (35,93%). Numa corrida eleitoral marcada por troca de ofensas e fake news, o ex-prefeito decolou neste segundo turno com o chamado “voto crítico”, que inclui os eleitores que rejeitaram a reeleição de Crivella independentemente de quem fosse o candidato de oposição. Neste contexto, estão incluídos principalmente simpatizantes de partidos de esquerda derrotados no primeiro turno, como Psol, PDT, PT e PSB. Somado a isso, Paes, que esteve à frente da cidade em momentos cruciais como a Copa 2014 e a Olimpíada 2016, conseguiu colar à sua imagem a fama de bom gestor. “Foi uma vitória da política. O Rio vai voltar a dar certo, a olhar para frente com muita esperança e fé”, declarou o prefeito eleito, durante o pronunciamento em um hotel na Zona Sul da cidade. “Já vamos começar a processo de transição a partir desta segunda-feira.”

Com 100% dos votos do Rio apurados, ficou claro que muitas pessoas optaram por não ir às urnas neste domingo. A cidade registrou uma abstenção de 1 720 154 eleitores (35,45%), uma quantidade que supera inclusive o número de votos recebidos pelo prefeito eleito. Além disso, os votos em branco chegaram a 157 610 (5,03%) e os nulos a 431 104 (13,77%). 

Ao lado da mulher, a engenheira Cristine Paes, do filho Bernardo e do presidente da Câmara dos Vereadores, Rodrigo Maia (DEM), Eduardo Paes comemorou a vitória sobre Crivella, ressaltando que está mais experiente, maduro e preparado para comandar a capital fluminense. “Nos próximos quatro anos, o Rio terá um prefeito que vai dar o sangue, trabalhar e lutar muito”, prometeu. Durante o discurso de vitória, Paes ainda criticou o seu adversário nas urnas. “Esse resultado é uma vitória da diversidade, um não ao governo reacionário que tomou conta da cidade nos últimos quatro anos. Foi ruim na gestão, que piorou a vida das pessoas e olhou para a cidade com muito preconceito. “, acrescentou. “O Rio vai voltar a ser vanguarda, referência no país”, completou.

Sem citar o presidente Jair Bolsonaro, que pediu votos para Crivella, Paes anunciou que vai dialogar com o governo federal, principalmente no combate ao novo coronavírus. De acordo com o prefeito eleito, entre as primeiras medidas que adotará está a reativação de mais 100 leitos no Hospital da Acari, referência para o tratamento da Covid-19, e pelo menos 450 000 testes de diagnóstico da doença nos próximos meses. Ele confirmou também o nome do novo secretário municipal de saúde: Daniel Soranz, que já ocupou este cargo. “Não é possível que tanta gente esteja morrendo por uma doença que pode ser administrada”, ponderou Paes. 

O ex-prefeito volta ao cenário político dois anos depois de amargar uma derrota para o governo do estado, contra o então estreante e desconhecido Wilson Witzel (PSC) – ex-juiz federal afastado do cargo sob suspeita de desvio de verbas públicas. A vitória de Paes ocorreu num momento em que Crivella trouxe novamente à tona, em debates, seu passado de aliança e amizade com lideranças políticas fluminenses presas pela operação Lava Jato, entre eles o ex-governador Sérgio Cabral, condenado a mais de 300 anos de prisão. O democrata assume o cargo novamente num momento em que figura como réu na Justiça Eleitoral por suspeita de caixa 2 na campanha de 2012, o que ele nega.

Advogado de formação, Paes ingressou na política ainda jovem, pelas mãos do também ex-prefeito e hoje vereador Cesar Maia (DEM) – pai do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Aos 23 anos, ele assumiu o primeiro cargo público como subprefeito na Zona Oeste. Quatro anos depois, em 1996, foi eleito vereador, com a maior votação naquele ano. Em 1998, se elegeu deputado federal, onde cumpriu dois mandatos. No Congresso se destacou como um dos principais dos opositores do governo Lula, com atuação marcante no escândalo do mensalão. Anos mais tarde, no entanto, já à frente da prefeitura do Rio, se tornou muito próximo do ex-presidente petista.

Como prefeito, Paes se notabilizou pela realização de grandes obras, como os corredores expressos (BRTs) e a derrubada do Viaduto da Perimetral, que deixou à vista o chamado Boulevard Olímpico, junto à Baía de Guanabara. No meio destes projetos, também surgiram escândalos de corrupção, como o que resultou na prisão de seu ex-secretário de Obras, Alexandre Pinto. Ainda no seu segundo mandato, o ex-prefeito também se tornou conhecido no país inteiro por protagonizar uma grande gafe. Em conversa telefônica interceptada com o então presidente Lula, Paes se referiu ao município de Maricá, vizinho ao Rio, como “M… de lugar”. Depois do episódio pediu desculpas. Nesta eleição, fugiu de polêmicas.

 

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