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Os motivos para o Rio Grande do Sul liderar a vacinação contra a Covid-19

Estado é o primeiro em doses aplicadas proporcionalmente, 2.576.750 já receberam a vacina, o equivalente a 17,5% da população.

Por Camila Nascimento 22 abr 2021, 16h03

Rapidez na distribuição das doses, coordenação com os municípios, aumento do número de profissionais – incluindo o uso de aposentados e estudantes da área de saúde –, postos móveis de imunização e horários estendidos de atendimento são, segundo avaliação das autoridades locais, algumas das causas que fazem do Rio Grande do Sul o estado que percentualmente mais vacinou a população contra a Covid-19 no Brasil.

Segundo dados compilados por VEJA, 17,5% dos gaúchos receberam ao menos uma dose do imunizante, mais de quatro pontos percentuais acima da média brasileira, que é de 13%. Até agora, 1.992.474 dos moradores do estado receberam a primeira dose – o Rio Grande do Sul tem 11,4 milhões de habitantes. Além disso, 584.276 já estão imunizados com a segunda aplicação.

Para a secretária estadual de Saúde, Arita Bergmanm, a organização da campanha com participação direta dos gestores municipais de saúde e adistribuição rápida são as principais razões para a agilidade do processo. “Não levamos nem 24 horas para distribuir as doses que chegam do Ministério da Saúde. Ou seja, chega ao aeroporto às 6h, no máximo em três horas o nosso centro de distribuição começa a fazer a remessa para os dezoito pontos no interior, por transporte terrestre ou aeronaves. No mesmo dia, a partir do meio-dia, esses pontos já começam a distribuir para os municípios, que vão com muito agilidade também levar aos postos de vacinação”, relata a secretária.

Com 497 municípios, o Rio Grande do Sul tem cerca de 1.800 pontos para imunização. “Outro ponto importante é a capilaridade das redes. Nós temos muitas salas de vacinação e equipes preparadas para fazer a aplicação o mais rápido possível, através de um guia prático que foi passado a eles”, afirma Bergmanm.

A vacinação é feita nos fins de semana, feriados e, em alguns dias, com horários estendidos. O Rio Grande do Sul também recebe o apoio de profissionais aposentados da área da saúde, que podem ajudar na aplicação de doses, e de estudantes de enfermagem. “Há uma mobilização para que tenha um grande número de vacinadores”, destaca a secretária.

Outro ponto é a orientação dada pelo Rio Grande do Sul às cidades para que preencham as informações no Sistema de Imunização Nacional o mais rápido possível para que haja dados reais da vacinação.

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Segundo levantamento de VEJA com base nos números oficiais do Ministério da Saúde, nas últimas duas semanas a média móvel de casos se manteve estável (4.295,7 em 7 de abril contra 4.289,4 em 21 de abril), mas a taxa de mortos caiu de 217,9 para 160,7 no mesmo período. A média móvel de mortes é calculada a cada período de sete dias e é mais recomendada para acompanhar a evolução a doença porque evita distorções.

Porto Alegre

Na capital gaúcha, já foram vacinadas mais de 348.000 pessoas com a primeira dose, o que dá 23% da população da cidade. O diretor da Vigilância em Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter, reforça a importância de colocar as vacinas à disposição da população o quanto antes. “Abrimos unidades de saúde, estamos com três a quatro drive-thrus e usamos uma unidade móvel, que tem bastante procura”, diz.

Ele também cita o envolvimento de entidades que representam as categorias prioritárias. “Fizemos parceria com os conselhos de classe. Teve um dia em que a gente vacinou os profissionais de saúde nos conselhos de odontologia, medicina, enfermagem, fisioterapia e psicologia”, conta.

Ritter ressalta também que a capital faz um controle para que não falte doses em nenhum ponto de imunização. “Monitoramos diariamente onde tem a vacina. Isso fez com que nós não suspendêssemos a vacinação em nenhum dia por falta de imunizantes em nenhum local”, afirma.

Outros estados

Além do Rio Grande do Sul, outros cinco estados imunizaram com a primeira dose um percentual da população superior à média nacional: Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Paraíba, Bahia e São Paulo (veja quadro abaixo).

As unidades da federação com os menores percentuais estão nas regiões Norte e Centro-Oeste: Rondônia, Amapá, Tocantins, Mato Grosso e Acre – todas têm menos de 10%.

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