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Oposição quer apuração de voto fantasma em MG

Por Marcelo Portela

Belo Horizonte – Deputados de oposição ao governador Antonio Anastasia (PSDB) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais querem que a Comissão de Ética da Casa e o Ministério Público Estadual (MPE) investiguem o que consideram “fraude eleitoral”. Isso porque, na sessão de ontem, a votação de projetos de interesse do Executivo foi anulada após serem constatados os votos de três parlamentares da base governista que não estavam no plenário.

O fato ocorreu enquanto os deputados votavam um projeto que aumenta alíquotas do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o álcool. O deputado Adelmo Leão (PT) viu que o painel eletrônico assinalava o voto do colega Arlen Santiago (PTB). Em seguida, parlamentares perceberam também que, além de Santiago, também foram computados votos de Antônio Lerin (PSB) e Juninho Araújo (PTB). Sem esses votos, não haveria quórum suficiente para a votação do projeto. A sessão era presidida por José Henrique (PMDB), que anulou a votação quando descobertas as ausências.

Além da anulação, o líder da oposição, deputado Rogério Correia (PT), pediu à Mesa Diretora da Sasa que encaminhe representação à Comissão de Ética para apuração do caso. “Houve uma frade eleitoral. A senha (para registrar presença e votos) é pessoal e intransferível. E, quem votou por eles, cometeu falsidade ideológica”, acusou. “Agora, fica a suspeita quanto às votações de outros projetos, principalmente os de interesse do governo”, acrescentou.

Procurada para falar sobre o caso, a Assembleia afirmou que se manifestaria sobre o caso em nota, o que não ocorreu até o início da noite de hoje. Por meio de sua assessoria, Antônio Lerin, que estava em Uberaba, no Triângulo Mineiro, no momento da votação, negou que tenha fornecido sua senha a algum colega e disse que pedirá à Presidência da Casa uma auditoria no painel eletrônico, porque a fraude “pode ter ocorrido em outros projetos”. Mesmo com a ausência de Arlen Santiago tendo sido a primeira notada, sua assessoria alegou que ele votou e depois deixou o plenário. Já Juninho Araújo ficou de retornar as ligações à reportagem, o que não ocorreu.