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Operação investiga cobrança de propina em projeto de submarino nuclear

Segundo MPF, Renato Del Pozzo solicitou 6 milhões de reais a uma empresa austríaca, que celebrou 15 contratos com a Marinha do Brasil

A Polícia Federal (PF) cumpriu, nesta quinta-feira 7, três mandados de busca e apreensão, na Operação Submarino, que investiga corrupção na compra de equipamentos pelo Centro Tecnológico da Marinha. Os endereços que foram alvo da ação são ligados aos engenheiros Renato Del Pozzo e Jairo João Mola.

Segundo as investigações do Ministério Público Federal (MPF), Del Pozzo pediu seis milhões de reais em propina à empresa austríaca Bilfinger Maschinembau GMBA & CO (MAB), entre 2008 e 2015. A companhia atende ao centro tecnológico e ao Comando Naval Brasileiro Europa (BNCE) fornecendo materiais para pesquisa e serviços em tecnologia nuclear. De acordo com a promotoria, a empresa tem ao todo 15 contratos com a Marinha do Brasil.

O engenheiro do centro tecnológico recebeu, segundo o MPF, 3,6 milhões de reais, depositados em uma conta bancária na Suíça, para intermediar a contratação da empresa austríaca. Uma empresa de propriedade de outro engenheiro, acusado de ser comparsa do esquema, também recebeu valores que, de acordo com as investigações, eram parte da propina. Esses recursos foram disfarçados por um contrato de consultoria.

A Justiça Federal bloqueou os bens de contas e das empresas dos engenheiros suspeitos de participar das ilegalidades. Segundo o MPF, o montante sequestrado deve chegar a cerca de 13 milhões de reais.

Marinha

Em nota, a Marinha do Brasil afirmou que “vem contribuindo para a elucidação de supostos ilícitos relacionados às atividades da empresa Bilfinger Maschinembau GMBA & CO.KO (MAB), visando à preservação do patrimônio público e à persecução penal militar” desde 2015, quando tomou conhecimento do caso através da Controladoria-Geral da União. A reportagem está tentando contato com os outros envolvidos.