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Operação contra jogo bicho prende 3 policiais no Rio

Por Solange Spigliatti

São Paulo – Três pessoas foram presas durante a Operação Tempestade no Deserto, deflagrada na manhã de hoje. A operação tem o objetivo de desmantelar uma quadrilha de contraventores especializados em jogo do bicho no Rio. Entre os presos estão dois policiais militares e um civil, que já estava detido. Joias, mais de R$ 30 mil em dinheiro, armas e três carros foram apreendidos. Estão sendo cumpridos oito Mandados de Prisão e 11 de Busca e Apreensão, no município do Rio.

Segundo o Ministério Público do Rio, a quadrilha era integrada por um policial civil, quatro policiais militares e outras duas pessoas, liderada por Shanna Harrouche Garcia, filha do bicheiro Waldomir Paes Garcia, o “Maninho”, morto em 2004. O grupo é acusado de formação de quadrilha armada e tentativas de homicídio qualificado. Shanna é apontada como a líder da organização criminosa que mantém a exploração do jogo de caça-níqueis, função exercida após a morte do pai e do marido José Luiz de Barros Lopes, conhecido como Zé Personal.

De acordo com denúncia do MP, Luís Carlos Felipe Martins, o Policial Civil Carlos Daniel Ferreira Dias e os Policiais Militares Adriano Magalhães da Nóbrega, João André Ferreira Martins e Marcelo Alves da Silva tentaram matar Rogério Mesquita e outras três pessoas na madrugada do dia 10 de maio de 2008, por ordem de Shanna, no entroncamento da Estrada Vecchi com a Rodovia RJ-122.

O crime foi praticado pela disputa do espólio criminoso do bicheiro Maninho, no qual Rogério Mesquita estaria relacionado por ter sido considerado amigo íntimo do contraventor. Na ocasião, as vítimas conseguiram fugir, apesar de um dos carros que as transportavam ter sido atingido por 37 tiros. Outro denunciado, Jorge Antônio dos Santos, também teria envolvimento na tentativa de homicídio por ter acompanhado os demais até o local da emboscada.

O outro Policial Militar denunciado é Pedro Paulo dos Santos Fernandes, vulgo “Pedro Fu”, que teria a função de “segurança” de Shanna. Ele também seria responsável por saldar as despesas de manutenção da Fazenda Haras Modelo, de propriedade da filha de Maninho, local onde eram armazenadas as armas da quadrilha.

Já Adriano Magalhães da Nóbrega, capitão da PM, exercia a função de “chefe da segurança” de Shanna. Adriano e João André são ex-oficiais do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), segundo o MP. Os policiais,d e acordo com a denúncia, utilizam seu armamento pessoal e armas de origem clandestina nas atividades criminosas exercidas pela quadrilha.

Carlos Daniel Dias, que era lotado na Delegacia de Repressão a Crimes contra a Saúde Pública, foi preso em novembro deste ano, às vésperas da ocupação da favela da Rocinha, escoltando os traficantes conhecidos como Coelho e Peixe, braços direitos do traficante Nem. Rogério Mesquita acabou sendo assassinado em janeiro de 2009, em Ipanema, oito meses depois do atentado planejado por Shanna.